Estúdio Nu e Sensual

Sensual: beleza sem medida certa

Mais um ano inicia e muita gente, como de praxe, faz algumas resoluções. “Fechar a boca” costuma ser uma delas, no sentido de que muitos assumem como meta perder uns quilinhos, ficar em forma, entrar finalmente naquela calça comprada dois anos atrás. É a eterna briga contra a balança, estimulada pelo mercado da moda, pela publicidade e pelos programas televisivos do tipo “Big Brother”.

Entre as mulheres esse conflito é mais presente, porém uma contracorrente tem ganhado força: a que prega a aceitação do corpo não importando se o manequim está acima dos quarenta. No entanto, até que ponto essa aceitação pode ser “desafiada”? Existe um limite para a autoestima? Mostrar o corpo num ensaio fotográfico sensual quem sabe seja um bom medidor. Seria possível ser fotografada sem roupas e se sentir bonita? A pergunta foi feita a Iwata Jr. e Kamila Quintella e aqui está a resposta.

Além de satisfazer a curiosidade de uma amiga, o casal encontrou um mercado a explorar. Iwata e Kamila mantêm estúdio em Rio Verde (GO), onde fotografam gestantes, books e ensaios sensuais. Aos 35 anos de idade, Iwata retornou à cidade natal depois de viver 17 anos no Japão. Voltou para ser fotógrafo, empolgado após vencer um concurso na terra do sol nascente. Kamila é de Cuiabá (MT), tem 24 anos e atua como assessora e produtora do estúdio, além de fotografar casamentos. Foi dela a ideia de começar o ensaio com mulheres acima do peso, ao que deram o nome de Sensualidade G.

“Depois de muitas pesquisas, Kamila notou a carência desse tipo de ensaio. O assunto está em alta, porém tudo que se encontrava relacionado a ensaios fotográficos para mulheres plus size são ensaios de moda, look book etc., e quando encontrava algum ensaio sensual, ou era ‘falso’ (a gordinha estava toda ‘photoshopada’) ou era algo que não era nada agradável aos olhos”, explica Iwata, preocupado em mostrar suas modelos bonitas, porém de modo natural, sem manipulações.

Mas havia o receio de que o tiro saísse pela culatra, pois se trata de um tema delicado. Porém, a dupla resolveu apostar. “A princípio, convidamos mulheres que tínhamos um pouco de amizade, pois é bem delicado convidar alguém para um ensaio plus, de certa forma você está dizendo que ela está acima do peso. Depois dos primeiros ensaios, foram aparecendo muitas mulheres se oferecendo para o ensaio, o que foi até mesmo surpreendente pra nós. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, as modelos de padrões magros têm muito mais complexos com seu corpo do que as gordinhas bem resolvidas, pois mulheres, quanto mais perfeitas, mais defeitos veem em si mesmas”, acredita Kamila.

Iwata e Kamila: mulheres magras têm mais complexos que as “gordinhas”

O projeto ganhou repercussão, apareceu na mídia especializada e chamou a atenção até de mulheres de outros países. “A procura é muito grande, pois a realização pessoal é incrível e estimula todas a quererem fazer”, revela Iwata, para quem o sucesso se deve à transparência e seriedade da proposta, baseada no fato de que a modelo terá a si mesma como resultado das fotos, e não uma versão fabricada pelos filtros do Photoshop. A beleza que as imagens mostram é trabalho de uma iluminação, produção e direção bem feitas, além de bom gosto, mas o fotógrafo cita outro aspecto: “Saber conversar e entrar no mundo em que elas vivem, sem tratá-las (ou olhá-las) de forma diferente por serem acima do peso. Afinal, todas são iguais”.

Além da questão comercial, Iwata e Kamila contam como dividendos a certeza de que sua fotografia tem feito a diferença para essas pessoas: “Ouvir uma modelo dizer ‘obrigado por mudar minha vida’ não tem preço”, garantem, certos de que beleza passa longe de ser um conceito absoluto, ao passo que formas as mais variadas podem obter esse status – é preciso apenas que haja do outro lado um bom fotógrafo.

Sobre o autor

Alcides Mafra

Alcides Mafra

Jornalista e colaborador do iPhoto Channel (alcidesmafra@iphotochannel.com.br)

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