A regra dos terços nem sempre funciona

O impacto visual de uma fotografia depende da organização dos elementos dentro dela. Uma das formas mais utilizadas para distribuir eles de maneira harmônica no espaço é através da aplicação da regra dos terços, mas nem sempre ela é a melhor opção para nossa composição.

Foto: Jon Sparkman

Uma das regras clássicas de composição é a dos terços. Em termos gerais, ela afirma que os sujeitos ou objetos principais devem estar colocados nas interseções resultantes da divisão da tela em três partes iguais de maneira vertical e horizontal. Desta forma, é possível ter um resultado atrativo visualmente nas fotografias e evitar a monotonia que produz os enquadramentos muito simétricos. Essa ideia está tão interiorizada que a maioria das câmeras tem incorporada a opção de visualizar a grade “mágica” antes de efetuar o disparo e, consequentemente, garantir uma “composição correta”.

Em termos visuais, existem duas consequências básicas do uso da regra dos terços que devem ser compreendidas. Em primeiro lugar, os sujeitos principais nunca ocuparão o centro do enquadramento e, por outro lado, a linha do horizonte nunca dividirá o enquadramento em duas partes iguais. Mas, que importância tem isso? A “teoria” não diz para evitar a “centralização” destes elementos para obter bons resultados? Na realidade, tudo depende do nossa intenção fotográfica, ou seja, o que queremos transmitir com nossa imagem.

Foto de Andrea Piacquadio no Pexels


Não existe nada de errado em centralizar os sujeitos, se a intenção é destacar a figura do resto do ambiente, ou reforçar a sensação de harmonia, estabilidade e equilíbrio na imagem. O importante é sempre ter presente qual é a mensagem que desejamos transmitir e, só depois, escolher qual regra utilizar. Quebrar as regras da composição pode ser uma necessidade. Porém, essa decisão deve ser consciente, baseado em conhecimentos que justifiquem essa escolha. Caso contrário, apenas se limitará a um ato fortuito e intuitivo, ou seja, pode ser interpretado como um erro.

Em conclusão, a regra dos terços tem que ser considerada como uma guia na hora de trabalhar, mas não podemos confiar totalmente nela para obter um impacto visual desejado. É preciso avaliar todas as condições da cena e nossos objetivos antes ativar a opção de “visualização da grade” da nossa câmera e pensar em compor apenas seguindo essa regra.

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Um Comentário

  1. Concordo, mas seria legal usar exemplos de fotos equilibradas em formato normal. No caso aqui a onça esta em formato quadrado, a do bebe esta exatamente na regra do terços, somente na vertical.
    Quebrar as regras com exemplos no formato wide acho que ficaria mais claro a teoria!!

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