Fotojornalismo Manipulação de imagem

Vazam mais fotos “photoshopadas” do lendário fotógrafo Steve McCurry

Livros de fotografia

Um dos grandes nomes do fotojornalismo mundial, fotógrafo da National Geographic autor da famosa imagem “A Menina Afegã”, Steve McCurry está sendo desacreditado no mundo da fotografia. Em abril deste ano, uma das fotos de McCurry foi apontada contendo um photoshop fail, um erro grotesco de edição de imagem.

Fotos: Steve McCurry
Fotos: Steve McCurry

A gafe foi encontrada pelo fotógrafo Paolo Viglione que visitava a exposição de McCurry. Agora novas imagens começam a vir a tona.

Nas últimas fotos descobertas com alterações e manipulação de imagem, é quase possível brincar de “jogo dos sete erros”. Porém, dessa vez, infelizmente com um ilustre fotógrafo. A National Press Photographers Association (NPPA) anunciou que as revelações sobre a manipulação nas fotos de Steve McCurry demandam agora um reexame preocupante em todo o trabalho de 40 anos do fotógrafo.

Steve McCurry, em resposta ao escândalo, disse que vai controlar seu uso de Photoshop, mas se considera hoje mais um “contador de histórias visuais” do que um fotojornalista, o que flexibilizaria o uso da ferramenta em seu trabalho. Hoje suas fotos são mais para produção pessoal do que encomendas jornalísticas. “Os anos de cobrir zonas de conflito estão no passado distante”, disse McCurry à revista TIME.

Ele explica que usou o Photoshop, por exemplo, para salvar uma foto do esquecimento (imagem abaixo). “O uso de Photoshop garantiu que uma imagem poderosa não fosse rejeitada porque tinha a orientação horizontal”, disse. “Alguns diriam que era errado fazer isso, mas eu pensei que era apropriado porque a verdade e a integridade da imagem foram mantidas”.

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O site PetaPixel publicou várias imagens em forma de gif que mostram o antes e depois do Photoshop. Em algumas fotos há apenas correção de tonalidade, mas outras tem mudanças grotescas até mesmo do tamanho do pé de um homem  (confira ao longo do post). Veja mais fotos e comparações:


Sobre o autor

Ruca Souza

Ruca Souza é jornalista, redatora publicitária e fez parte do iPhoto Channel de 2015 à 2018. Ela também tem uma banda: www.instagram.com/rucasouza

31 comentários

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  • Utilizo de tratamento em 99% das minhas imagens, melhorando cores, sombras, luzes enfim, como a maioria dos fotógrafos digitais de hoje. Ferramentas estas que dão mais vida a fotografia e melhoram a idade dela como o próprio Steve comenta. Acho que este pessoal que procura sujar a reputação do fotógrafo vai pelo caminho errado. Grande profissional, trabalhos incríveis e, com a ajuda da tecnologia, suas fotos ficam ainda mais palpáveis!

    • Concordo! 100%!
      Apenas UMA correção. Fotógrafos digitais TAMBÉM.
      No passado, fotógrafos corrigiam isso tudo na mão. Na revelação.
      Vide Ansel Adams. Fazia quase HDR. 24H de revelação em 1 foto.

  • Eu abri o link curiosa, achando que ele tivesse feito coisas excepcionais com o Photoshop, como modificar a realidade e a narrativa, mas o cara trabalhou brilho, contraste, cor… coisas normais e necessárias (ainda mais pra fotografia digital que passará por impressão). Se isso fosse errado, nem teríamos aulas de Lightroom e Photoshop durante o curso de fotografia. Pára, né?! Pára, que o cara foi, é, e sempre será um ícone pra história da fotografia mundial.

  • Bom, eu acho que quando você muda o fato, colocando ou tirando pessoas ou objetos, ou então muda o ambiente escurecendo ou clareando ele a ponto de não representar mais o fato, então deixou de ser fotojornalismo para ser fotografia-arte.

    Acho que cada uma tem seu lugar. Ansel Adams estava criando arte. Nada mais natural do que ficar horas e horas no laboratório fazendo “dodge” e “burn”. Ou mesmo combinando duas fotos. É arte, é uma criação digital.

    Agora, quando você faz uma foto representando um fato, e altera a foto, você está contando outra história, não o fato que está sendo representado, mas uma versão adulterada dele.

    E mesmo com uma foto não adulterada você ainda pode estar forjando uma mentira, escolhendo um plano onde aparece mais gente, ou menos gente, ou então fotografando só parte da cena, contando só parte da história, ocultando e omitindo outra parte.

    • Perfeito! O livro Ilusão Especular – Uma Teoria da Fotografia de Arlindo Machado tece uma ótima passagem sobre a parte do enquadramento a que você se refere. OBS: Não estou fazendo propaganda do livro, foi apenas uma coincidência sobre o que estava lendo nele ontem e o que você publicou!

  • Esta é o tipo da discussão boba, o que interessa se alguém usa ou não o photoshop? o que interessa é a ideia e não a forma. O computador esta ai, e tenho impressão que Ansel Adams que procurava a perfeição desenvolvendo todo tipo de técnica, inclusive o nome é MANIPULAÇÃO, deve estar tremendo no tumulo por não teve a chance de trabalhar com uma ferramenta tão boa. A maquina fotografica é um aparelho, assim como o computador, os puristas deveriam fazer pintura se é que sabem fazer alguma coisa, pois arte não esta na forma e sim na ideia, no conceito.

  • Fiquei abismado com alguns comentários aqui, dizendo que não há nenhum problema no que ele fez. Gente, acorda, isso não é rixa, ninguém que apontou esses erros está competindo com o McCurry, o fato é que ele fez um nome no fotojornalismo (fez até a foto mais famosa de todos os tempos, A Menina Afegã), e é ÓBVIO que ele pode melhorar as cores, a exposição, o contraste, a claridade e até escurecer ou clarear certa área da foto (o Photoshop e Lightroom, inclusive, são inspirados em técnicas de quarto-escruto), mas ele JAMAIS poderia ter feito o que ele fez: remover pessoas inteirinhas das fotos, retirar objetos, entortar uma casa para deixar ela parecido com uma cena do Harry Potter (não, o que ele fez não foi corrigir a distorção da lente) e até tirar uma ilha do mar. Quando olhamos as fotos do McCurry, ficamos maravilhados pois ele mostra um mundo quase perfeito no quesito imagem, onde tudo se encaixa perfeitamente, no entanto, descobrimos agora que esse mundo steve mccurryano não existe, foi simplesmente inventado e vendido para nós como se fosse realidade. Agora não me digam que também vai ser “nada demais se descobrirmos que A Menina Afegã tinha bigode e olhos castanhos ao invés de verdes; afinal, ele só queria melhorar a imagem”. Isso é enganar as pessoas que acreditaram no trabalho dele por décadas e o colocaram na agência de fotografia mais conceituado de todos os tempos, a Magnum, onde só trabalharam os gigantes da fotografia. AULA-1 de ética de fotojornalismo e parem de querer cagar regra.

    • E nao é cagaçao de regra a tal etica de fotojornalismo? O jornalismo hoje esta Em total descredito com as
      coberturas tendenciosas dos fatos seja para que lado político for! O que esta acontecendo aqui é caça as bruxas com o steve mccurry. Simples assim. Tolos são os que acreditam em mundo ideal a partir da fotografia de
      Alguem!

  • Simplesmente: Ridículo ! As fotos do Mccurry são belas, poderosas. Toda foto passa por edição de simples a mais avançada. São apenas invejosos querendo tirar os méritos de um dos maiores fotógrafos a atualidade.

  • Não sei se estou com algum grave problema visual, pois o que pude observar foi principalmente correções de tonalidades, densidades, etc., nada que pudesse depreciar a imagem original.

  • Aproveitando a deixa e uma carona no comentário do Guilherme Santana para indicar um livro. Este, que é uma Biografia, sobre um tal Cartier-Bresson, O olhar do século, escrito por Pierre Assouline, editado aqui no Brasil pela L&PM. Leitura fácil e obrigatória para todo fotografo, principalmente para entender o que é um fotojornalista e um fotografo artista e o melhor é conhecer, um dos poucos que conseguiu ser tudo isso e muito mais, fica a dica!!!

    • Olá Fernando. Sim, O Olhar do Século é uma obra prima, tanto pela vida do Cartier quanto pela escrita do Pierre. Leitura obrigatória e com diversas partes que mostram a preocupação do criador da Magnum com a manipulação de imagens no fotojornalismo. Quem acha que o que o McCurry fez não é nada demais, deveria estudar mais. Vir com esse papo de que “é um bando de invejosos” é partir para uma discussão rasa. Eu mesmo queria que nada disso tivesse acontecido, sou e continuarei sendo fã do Steve, mas agora irei ficar com um pé atrás quando ver as fotos dele.

  • Não vejo notícia pra tanto alarde… O único problema é que em fotojornalismo é complicado ficar mexendo ou tentando melhorar fotos…

    • Não vejo motivo pra tanto alarde… O único problema é que em fotojornalismo é complicado ficar mexendo ou tentando melhorar fotos…

  • Deixa de mi mi mi , o cara é fera ,e faz oque todos devem fazer ,pois toda foto digital precisa de algumas correções ,pois a fotografia digital está aí para isso , RAW ,LR, HDR, PS ….., cadê o crime ou pecado nisso?
    O olhar diferenciado ainda é o mesmo dá época do filme Kodacrome ASA 64 . Poucos ainda em vida teve o privilégio de fotografar com essa sensibilidade , grandeza olhar apurado ,que ele tem .
    E que atire a primeira preda quem nunca tratou uma foto , é purista mesmo em tempos de nano tecnologia,Wi-Fi , blá…. blá . …. .

  • Gostei da fotógrafa de “coisas”!
    A manipulação de fotos existe desde o princiípio da fotografia no intuito de “corrigir” alguma “coisa”.
    Quem critica a manipulação corretiva e principalmente o photoshop é porque não sabe trabalhar com ele; é restrita a tratamentos básicos de outros programas. Alguns erros escapam na mídia, e o pessoal cai em cima do Photoshop.

  • Qualquer uma das ‘correções’ (ao gosto de McCurry), é nada perto das fotos merdas que vemos por aí. O que vi nas fotos vazadas, foram alterações que deixaram as fotos mais vivas, mas que em nada mudaram o enquadramento, e pouca alteração na composição.
    Quero ver um fotógrafo que faz 2 mil cliques (com no máximo 30% de aproveitamento) num casamento ter coragem de mostrar o material bruto pra gente dar palpite. Principalmente nas merdas que esta “revista” publica