Em dias de Copa, futebol de verdade

O brasileiro tem dúvidas em relação à Copa. De um lado, a euforia por ter o maior evento desse esporte ocorrendo no quintal de casa. De outro, a desconfiança em relação à organização do evento, os bilhões enterrados em estádios fadados a se tornarem custosos elefantes brancos, sem falar nos superfaturamentos, na descaracterização criminosa do “templo” Maracanã. O que nada disso afasta, no entanto, é a sua fidelidade ao futebol.

E o futebol, por aqui, não se resume aos estádios, ainda que a paixão pelos clubes exacerbe paixões e rivalidades. A bola rola desde sempre, nos aterros, no meio da rua, entre as canelas finas dos moleques de norte a sul do país. Do Oiapoque ao Chuí, que foi o percurso feito por Caio Vilela em seu recente livro Futebol-Arte (Grão Editora, 260 págs., R$ 125), já à venda nas livrarias, mas com um lançamento marcado para o próximo dia 27 na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2073), em São Paulo.

Caio tem 42 anos e uma relação de longa data com o tema. Jornalista e fotógrafo, ele começou a carreira como fotojornalista em 1994. “Eu sempre viajei para produzir reportagens e, no caminho, ia flagrando uma pelada cá, outra lá”, explica o paulistano, torcedor do Corinthians (mas pai de três são-paulinos), que visitou 80 países e trouxe dos lugares mais inusitados histórias da bola. Tem um rico acervo sobre o futebol praticado pelo mundo, que já rendeu o livro Futebol sem fronteiras (Panda Books, 2009) e a exposição Ora Bolas!, no Museu do Futebol, em 2010. Teve imagens suas, do futebol nos países árabes, exibidas durante a cerimônia da Fifa que oficializou a realização da Copa do Mundo de 2022 no Catar.

Mas o lado oficial não é o seu alvo. Neste novo livro, Caio saiu em busca de imagens e histórias (os textos são de Eduardo Petta) das partidas que ocorrem nos campinhos improvisados e que são o batismo de todo futuro craque. Como foi o de Zico, que assina o prefácio do livro e atesta: pelada é o futebol em estado puro, sem compromisso, sem imprensa e sem dinheiro. Alegria pura.

O autor levantou recursos da Lei Rouanet e realizou o trabalho em oito viagens, entre janeiro e setembro de 2012. Visitou 27 estados, de capitais a lugares mais isolados, capturando cenas que cristalizam, num lance de câmera, essa paixão nacional. Para Caio Vilela, não se trata de um fim de ciclo. Ele já tem na cabeça duas outras metas: um livro sobre o futebol feminino e outro abraçando o futebol pelo mundo inteiro. Também deverá promover o encontro do futebol “oficial” com o “real”: tem projetos para expor seu trabalho durante a Copa.

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2 Comentários

  1. Adorei o teto, Alcides! Obrigado pelo prestigio.

    Este é um trabalho que pretendo fazer a minha vida toda. Tornou-se uma paixao farejar e fotografar peladas.
    Estou agora clicando no Sri Lanka. Se quiser, apareça na minha pagina do Facebook , chamada Futebol Sem Fronteiras, e fique a par das novidades do projeto.

    Abração,

    Caio

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