Exposição

Paulistana transforma homens em Frida Kahlo

Frida Kahlo (1907-1954) é, sem dúvida, uma das personagens mais marcantes de nosso continente. Mulher à frente de seu tempo, intensa em seus amores, padeceu dores terríveis e as condensou em arte. Não admira que até hoje fascine tanta gente.

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Na conta dos fãs está Camila Fontenele de Miranda, 24, fotógrafa paulistana. Ela está com o projeto Todos podem ser Frida em cartaz no Museu da Diversidade Sexual (Estação República do Metrô), em São Paulo.

“Conheci mais sobre Frida na faculdade, na matéria de arte. Primeiro me apaixonei por suas cores e depois vi que tínhamos uma conexão”, conta a fotógrafa. “Costumo dizer que a dor dela me inspirou a sanar a minha dor, que naquele momento era me encontrar como fotógrafa. Foi a partir desse projeto que percebi que minha profissão não era publicitária e sim artista”, continua.

Camila começou o projeto em junho de 2012 e o terminou um ano depois. Chamou alguns artistas e modelos para encenar “fragmentos” da vida da artista: sua relação turbulenta com o marido Diego Rivera, o sofrimento físico, o desenvolvimento do seu olhar artístico, sua incapacidade de gerar filhos etc.

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“Os fragmentos foram escolhidos de acordo com fatos que mais me chamaram a atenção na vida e na obra dela. A partir daí, para cada um houve uma pesquisa (imagem e leitura) e uma conexão com o artista plástico que produziu (para cada fragmento foi um diferente). Como no início era uma troca de portfolio, o meu desafio, além de falar pela minha obra/pesquisa, era conseguir traduzir também a produção dessa pessoa. Afinal, eram dois segmentos distintos se completando”, explica.

Camila decidiu usar homens nos ensaios para demonstrar que a imagem de Frida é algo que permeia o imaginário coletivo. Também teve por motivação a suposta bissexualidade da mexicana. De modo geral, suas séries formalizam conexões entre arte, identidade de gênero e comportamento social com base na história de vida da pintora e nos seus autorretratos, reconhecidos pela inversão de papéis. “Desde o início queria algo forte e ao mesmo tempo poético e delicado. Os ensaios também serviram como uma evolução, já que, quando iniciei, era leiga em fotografia”, reconhece.

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A mostra fica em cartaz até 28 de fevereiro. Durante esse período, a fotógrafa está promovendo um adendo às 33 imagens expostas: confirmando que todos podem, de fato, ser Frida, Camila está fazendo retratos dos visitantes da exposição, que é gratuita, caracterizados como a pintora mexicana. As primeiras sessões, ocorridas mês passado, foram “bem intensas”, descreve a autora: “A quantidade de pessoas é bem grande e a diversidade também. Vai desde a pessoa que conhece Frida até a que passa a conhecer naquele momento”.

Essas fotos serão postadas em sua página do Facebook e exibidas no telão instalado no próprio museu. Se você quiser posar de Frida Kahlo, anote os dias em que os maquiadores estarão no local para fazer a caracterização: 6, 7, 13 e 14 de dezembro. Para participar, será preciso assinar um termo de cessão de uso de imagem. Site projeto: www.todospodemserfrida.com. Abaixo, algumas imagens feitas no museu:

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