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O que é mais importante na fotografia: habilidade técnica ou olhar artístico?

Bruce Barnbaum é um dos mais importantes pensadores sobre fotografia do mundo. Seu livro icônico, “A Arte da Fotografia, Uma Abordagem Pessoal à Expressão Artística”, é reconhecido como a bíblia do pensamento, percepção e aprendizado fotográfico. Recentemente, ele publicou um excelente artigo na revista ELEMENTS sobre o que é mais importante na fotografia: se dominar a habilidade técnica ou ter um olhar artístico apurado. Abaixo traduzimos as partes mais importantes do artigo. Disse Bruce:

“Os fotógrafos sempre tiveram um intenso debate sobre qual é o aprendizado mais importante: a habilidade técnica ou olhar artístico. A maioria se inclina para o lado técnico, imaginando que já tem domínio sobre o lado artístico e que lhe falta o conhecimento técnico para produzir fotografias realmente boas.

Isso é especialmente verdadeiro para fotógrafos que acreditam que se pudessem usar todas as ferramentas do Photoshop se tornariam grandes fotógrafos. Mas a maioria ignora as questões básicas de compreensão da luz, composição e, talvez o mais importante, o que o assunto da foto realmente significa para a grandeza fotográfica. Sem esse conhecimento básico do lado artístico, eles não farão muito progresso na fotografia, não importa o quão proficientes se tornem com as ferramentas de edição ou o conhecimento sobre os recursos e ajustes das câmeras.

O que é mais importante na fotografia:  habilidade técnica ou olhar artístico?
Foto: Pexels

Além disso, a maioria dos fotógrafos atualmente acreditam que uma fotografia nítida é uma boa fotografia apenas por ser nítida, mas esse não é o caso. Ansel Adams observou certa vez: “Não há nada tão inútil quanto uma fotografia nítida de um conceito difuso”. Ele estava certo. A nitidez mostra uma lente soberbamente fabricada e uma foto bem focada, mas nada mais. Por si só, não indica uma grande fotografia.

A parte artística inclui a compreensão da luz porque a única coisa que o filme ou os sensores digitais registram são os níveis de luz, portanto, é a única ferramenta real para a fotografia. A parte artística também inclui a compreensão da composição: a relação das linhas e formas e cores na área da imagem. A parte artística também inclui a imaginação para transformar a cena na frente da câmera (que o fotógrafo geralmente encontra, mas raramente cria) na imagem que você mostra para os outros (que é puramente criação do fotógrafo).

“Não há nada tão inútil quanto uma fotografia nítida de um conceito difuso”, Ansel Adams

Então quer dizer que o conhecimento artístico é mais importante do que o conhecimento técnico da fotografia? Não. Acontece que os aspectos técnicos e artísticos estão conectados. Como um exemplo rápido, suponha que uma fotografia foi feita com iluminação requintada, com uma relação magnífica entre as formas na imagem e uma excelente imaginação que transforma a cena em uma perspicaz imagem fotográfica. Mas a impressão da imagem é horrível – talvez esteja muito alto ou baixo em contraste, ou muito claro ou escuro. Então, todos os valores artísticos são perdidos.

O que é mais importante na fotografia:  habilidade técnica ou olhar artístico?

Por outro lado, uma imagem que foi impressa lindamente, mas que foi feita sob uma iluminação chapada e / ou não tem relações interessantes em suas linhas ou formas, pode não ter nada a dizer ao observador. No entanto, muitas vezes ouço as pessoas elogiando a imagem porque sua impressão é tecnicamente bem feita. Mas é um conceito difuso – ou conceito nenhum. É tecnicamente perfeito, mas sem sentido.

Esses dois exemplos mostram que uma fotografia deve ser artística e tecnicamente excelente para passar no teste da verdadeira excelência. Voltando-se para Ansel Adams mais uma vez, ele observou que muitas vezes há uma pequena diferença entre uma impressão que é aceitável e uma impressão que é excepcional. Essa pequena diferença pode vir do lado técnico ou artístico. Mas vai além disso. Os aspectos técnicos e artísticos não estão apenas conectados, mas devem ser vistos como uma construção um sobre o outro”, finaliza Bruce.

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