Fotojornalismo

Foto vencedora é autêntica, diz WPP

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Foto de Paul Hansen, absolvida pelo WPP

A fundação World Press Photo (WPP) encerrou nesta terça-feira (14) a polêmica envolvendo a foto vencedora este ano do seu tradicional concurso internacional de fotojornalismo. Segundo a organização do prêmio, a foto apresentada pelo sueco Paul Hansen é autêntica. O WPP recorreu à análise de especialistas para emitir o seu parecer, após surgirem acusações de que a imagem seria, na verdade, fruto de montagem.

A polêmica teve seu auge nesta semana, após o especialista em computação Neal Krawetz publicar em seu blogue uma avaliação da imagem. Com base em suspeitas levantadas por jornalistas e blogueiros pró-Israel, especialmente depois que o autor deixou de apresentar o arquivo Raw da imagem durante a cerimônia de premiação, em Amsterdã, Neal concluiu que a imagem seria resultado de três arquivos diferentes. Ele também sugere que houve manipulação na maneira como a luz incidiu sobre as pessoas que aparecem no cortejo fúnebre, de modo a clarear o rosto de algumas mais que de outras.

A explicação de Hansen foi de que ele havia usado uma densidade diferente no arquivo Raw para aproveitar a luz ambiente. “Em poucas palavras, é o mesmo arquivo – trabalhado sobre si mesmo –, a mesma coisa que se fazia com negativos quando eles eram escaneados”, explicou ao site news.com.au.

O argumento satisfez ao WPP. No entanto, em vista da controvérsia, resolveu submeter o arquivo a uma análise mais detalhada. “Revisamos o arquivo Raw original e a imagem resultante em formato Jpeg. É evidente que a foto foi retocada no que diz respeito ao tom e à cor de determinadas zonas e em seu conjunto. Além disso, no entanto, não encontramos nenhuma prova de que tenha sido feita uma manipulação relevante da imagem ou uma composição. Além do mais, a análise propondo manipulação é profundamente deficiente”, consideraram os especialistas, conforme comunicou a fundação em seu site.

Trabalho de Paolo Pellegrin também levantou suspeitas

Vale lembrar que esta não foi a única polêmica envolvendo a edição 2012 (concedida este ano) do World Press Photo. O italiano Paolo Pellegrin, fotógrafo da Magnum cujo ensaio The Crescent, Rochester 2012 ficou no segundo lugar geral do concurso, foi acusado de forjar uma das imagens da série, bem como plagiar o texto de apresentação da obra.

Também é interessante destacar que a exposição com as 154 imagens premiadas pelo World Press Photo estará na Caixa Cultural do Rio de Janeiro (Av. Alm. Barroso, 25 – Centro) a partir do próximo dia 21, com permanência até 23 de junho. Será uma oportunidade de olhar mais de perto a imagem vencedora e tirar as próprias conclusões.

Sobre o autor

Alcides Mafra

Jornalista e colaborador do iPhoto Channel (alcidesmafra@iphotochannel.com.br)

1 comentário

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  • Erro da organização, já que é pré-requisito para a premiação apresentar o arquivo em RAW.

    O que o fotógrafo fez, foi um “HDR na mão”, usando três saídas do mesmo RAW. Muito manipulado? Talvez, mas não é montagem.

    Poderiam é ter evitado a polêmica analisando o arquivo original antes de declarar os vencedores….