10 dicas para fotografar estranhos na rua

Essa é uma das pequenas aventuras que a fotografia proporciona: entrar em contato com pessoas estranhas na rua. Porém, a timidez ou o medo podem impedir você de fazer esse tipo de clique. O fotógrafo Anthony Epes listou para o site DPS algumas dicas preciosas para fazer ótimas fotografias de pessoas na rua.

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Além disso, no Facebook existem várias páginas em que fotógrafos não só tiram fotos, como também conversam com as pessoas clicadas. Confira, para inspiração: Humans of New York (em inglês), Humans of São Paulo (em português) e SP Invisível.

1 – Lidando com o medo

O medo que surge quando você se aproxima de estranhos é totalmente normal. Todos os fotógrafos que fazem isso têm experimentado o medo. O medo é, por definição, uma emoção desagradável causada pela ameaça de perigo, dor ou danos. Então, a ideia aqui é pensa:r “Ok, não há nada que possa me causar dor ou mal, vou esperar um pouco até sentir o impulso de ir clicar”. Provavelmente soa estranho falar assim consigo mesmo, mas pode funcionar bem. Basta deixar o medo se afastar por conta própria.

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2 – O segredo

Mas, na verdade, há um segredo para isso: não só a maioria das pessoas ficam felizes em ser fotografadas, mas também gostam de ser notadas. É um elogio enorme para elas o fato de você os procurar e querer tirar uma foto.

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3 – Divida o seu medo em pequenas partes

Uma forma de criar coragem para fotografar estranhos é ir se aproximando aos poucos. E isso pode levar um tempo. No caso da fotógrafa Diane Arbus, foram semanas. Ela passou um verão no mesmo parque, tomando coragem para falar com um grupo de pessoas que iam ali quase todos os dias. Gradualmente, ao longo dos dias e semanas, ela começou a conhecê-los. Com o tempo, ela desenvolveu um relacionamento, e foi só então que introduziu a câmera.

4 – Seja autêntico, seja humano

Existem fotógrafos que parecem achar que tudo e qualquer coisa são os seus alvos para cliques. Porém, há situações embaraçosas, por exemplo alguém que fotografa crianças na rua sem a permissão dos pais. Mesmo que em vários países a lei permita quase qualquer tipo de fotografia de rua, isso não é algo respeitoso de se fazer. Lembre-se que todos ali são humanos – incluindo você.  Uma boa ideia é, por exemplo, mostrar às pessoas a foto tirada, dar-lhes um cartão de visita ou levar os dados delas, como e-mail, para enviar as fotos posteriormente. E, no caso de crianças, perguntar antes.

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5 – Como abordar estranhos

Não importa o que você diz para as pessoas. É mais importante ser genuíno, acolhedor, simpático e calmo neste momento. As pessoas vão ler sua linguagem corporal antes que você abra a boca. Então se você estiver tenso elas podem pensar que você é desonesto. Se você não está sorrindo, as pessoas vão pensar que você é hostil. É claro que estar um pouco nervoso é natural. Mas quanto mais você pratica, mais calmo você vai se tornar. Resolva o medo dentro de si mesmo e crie aos poucos um tipo de padrão para se relacionar com estranho; depois disso tudo fica muito mais fácil.

6 – Seja rápido, esteja preparado

Isso não quer dizer que você não possa fazer um bom retrato anônimo. Nos últimos tempos, tem sido um bom momento para capturar a tendência da selfie:

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“Eu tirei a foto acima em Veneza, alguns meses atrás. Eu estava andando com um grupo de estudantes e, bang, lá estava ela. Porque eu estava preparado com minha câmera, e porque eu sempre vejo o que está acontecendo ao meu redor, fui capaz de capturar o momento imediatamente”, conta o fotógrafo Anthony Epes.

7 – Tenha um projeto e seja profissional

Ter um projeto, um tipo especifico de fotos para capturar na rua, também é uma boa ideia. O fotógrafo Anthony Epes tem capturado a barriga de pessoas (sim!). “Eu sempre senti que era uma parte muito subestimada do corpo e queria ver como as pessoas se sentiam sobre as delas. Então comecei a experimentar, perguntando às pessoas se eu poderia tirar fotos de suas barrigas”, explica o fotógrafo.

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Porém, por mais estranho que pareça o projeto, foi um grande desafio. Isso porque Epes precisava pedir para que as pessoas mostrassem algo delas que vive coberto na maior parte do tempo. A saída foi começar fotografando aquelas barrigas que já estavam de fora. “Eu iria abordá-los, explicar o que estava fazendo e dar-lhes um cartão de visita sobre o projeto – que tinha todos os meus detalhes profissionais de um lado e um monte de fotos da barriga do outro”, diz o fotógrafo. “É uma excelente maneira de cair na conversa com as pessoas, então a abordagem pode ser mais sutil e descontraída”.

8 – Seu fundo é o seu segundo tema

Uma pessoa não é o único assunto de uma foto. O lugar onde você coloca o seu tema, as cores, as linhas, a luz – tudo isso irá melhorar ou prejudicar o retrato. Pergunte a si mesmo – o que este fundo adiciona à foto? Antes de se aproximar das pessoas, observe primeiro o fundo. “Costumo passear à procura de locais interessantes, elementos interessantes na rua e, em seguida, uma vez que eu encontrei algo que eu gosto, eu espero para ver quem vem”, relata Epes.

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9 – Qual história você está contando com suas fotos?

Quando você está clicando retrato de alguém, você não está apenas juntando uma interessante combinação de cor, luz e forma (você está fazendo isso também), mas há algo mais. Você tem uma oportunidade incrível para contar uma história, e para comunicar a emoção e a sensação de seu assunto. O rosto e o corpo humano são as coisas mais expressivas e reveladoras sobre este planeta.

“Uma imagem de um cara na rua em Nova Guiné, com um osso atravessado em seu nariz, é interessante de olhar. Mas para que seja realmente uma boa fotografia, ele tem que comunicar algo sobre o que é viver com um osso atravessado em seu nariz. É uma questão de momento para revelar algo interessante e profundo sobre a condição humana”, diz o grande fotógrafo Steve McCurry.

10 – Como você faz as pessoas a revelarem suas emoções?

Quando você segura uma câmera em frente a uma pessoa, vai ver que elas começam com uma emoção, mas muito rapidamente isso muda. Depois de alguns segundos, a maioria das pessoas começa a ficar desconfortável olhando para uma lente de câmera. Em seguida, uma vez que elas passaram por isso, outras emoções começam a aparecer. Suas mentes passam a divagar sobre outras coisas. Os pensamentos das pessoas se movem a uma velocidade alarmante – e seus rostos revelam tudo. Então, basta estar com elas, olhando para elas, fotografá-las, e você vai começar a notar que as emoções se relevam pouco a pouco.

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Nota sobre o uso e permissão

Na maioria dos países, você só precisa de permissão das pessoas se for vender as fotos ou utilizá-las para fins comerciais. Fotos para a arte e uso editorial normalmente não precisam de permissão dos indivíduos (mas há exceções – como a Hungria, onde é ilegal fotografar qualquer pessoa sem permissão). Há exceções, especialmente para as crianças, por isso sempre conheça a lei do país onde está – e lembre-se que leis mudam o tempo todo.

Além disso, quando você estiver viajando e fotografando, é importante estar ciente das sensibilidades culturais antes de sair lá fora com a câmera na mão. Há uma tonelada de informações na web sobre os países e seus detalhes socioculturais. Mantenha-se informado sobre a cultura de cada local, isso também irá ajudá-lo a se sentir confiante na hora de fotografar.

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3 Comentários

  1. Cara Ruca, fotografar pessoas em lugares públicos sem as avisar é regulamentado no Brasil? Há lei que proíba? Há histórico de reações populares ao tema? Você pode me responder se há fatos. Obrigado. Seu texto foi fantástico para mim! abs

    1. Oi Ricardo!
      No Brasil é preciso pedir, no mínimo verbalmente, a autorização para fotografar pessoas individuais em locais públicos. Caso a pessoa se sinta ofendida, por exemplo, existe a possibilidade de ela processar o fotógrafo. Aqui temos o direito de imagem e personalidade.

      “No Brasil, o direito à imagem é contemplado de maneira expressa no novo Código Civil, em seu capítulo II (Dos Direitos da Personalidade), artigo 20:

      Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais” (fonte: livro “Direito Autoral para fotógrafos”, de Marcelo Pretto)

      De qualquer forma, vale a prevenção e o bom senso: é melhor e até legal trocar uma ideia com a pessoa e pedir permissão 🙂

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