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Como fazer a limpeza das lentes de sua câmera da forma correta?

Foto: José Américo Mendes
Foto: José Américo Mendes
Livro - Sem Medo do Flash

Por vezes o assunto parece esgotado, mas basta ir a um encontro de fotógrafos e surgem tantas questões e soluções que algo corriqueiro como a limpeza de lentes acaba por merecer um artigo.

E podemos começar dizendo:  evite limpar suas lentes sem necessidade. O vidro de uma objetiva, embora bastante resistente recebe diversas camadas protetoras e corretivas de vernizes e corantes para reforçar seu desempenho ótico. Com isso, contudo, adquire um certo grau de fragilidade superficial o que o torna vulnerável a arranhões e danos com produtos químicos, até mesmo aqueles que rodam na atmosfera, com a poluição do ar.

Mesmo que você mantenha as objetivas guardadas na bolsa e cada uma em sua capa, não deixe de usar as tampas da frente e de trás. Quando em uso, saiba que por mais cuidado que tenha, elas vão sujar-se e não há como evitar isso, afinal a poeira e o óleo da descarga dos veículos estão em todo o lugar. Ainda assim, se for uma poeira leve, basta um soprador, ou um pincel macio, mas é bom considerar que, por vezes, a sujeira mais grossa está justamente na sua bolsa e nas capas –  limpe-as também.

Muito embora as objetivas sejam montadas em lugares extremamente limpos, onde são usados os métodos mais sofisticados para eliminar o pó e a umidade, no uso normal e diário não se pode chegar a tal ponto. Saiba também que uma área que merece atenção está na parte traseira da objetiva, que vai ficar voltada para o interior da câmera.

Saquinhos com sílica-gel
Saquinhos com sílica-gel | Foto: José Américo Mendes

Na verdade, o pó não é o pior inimigo da lente, mas o fungo, que surge quando a objetiva fica esquecida em lugares úmidos e escuros. É muito comum objetivas ficarem guardadas durante anos em um canto da casa e acabam não só com uma grossa camada de sujeira, mas infestadas de fungos, que corroem justamente os vernizes protetores da lente. Se a marca é boa e a lente compensa, prepare-se para gastar uma nota, pois há poucas oficinas no país capazes de remover os vernizes corrompidos e repor novas camadas, nas cores exatas. Um bom remédio contra fungos é o uso de pequenos sacos com sílica-gel junto ao equipamento. E se você reside em locais muito úmidos ponha-os até dentro das câmeras e nas capas das objetivas.

Se de um lado a limpeza não deve ser esquecida, por outro, limpezas frequentes, quase obsessivas, também afetam as camadas protetoras do vidro ótico, com chances de pequenos arranhões e riscos, além de um degaste por abrasão, que embora mínimo, sempre acontece….

Geralmente o fotógrafo se preocupa com as lentes “da frente”, mas se esquece da parte de trás da objetiva, que também é muito importante.  O vidro naquele local está quase sempre limpo porque fica rosqueado ao corpo da câmera, mas merece uma olhada, vez por outra.

Limpar a lente é algo aparentemente fácil, mesmo no campo: digamos  que, numa externa,  a objetiva fique muito suja, remova o máximo da sujeira  com um soprador – há diversos modelos nas lojas de equipamentos, ou um pincel; o ideal seria usar uma solução de limpeza, mas se não tiver nada à mão sopre a lente bem de perto, bafeje e aproveite a umidade do hálito, limpando com uma flanela. Também se não tiver, a fralda da camisa mesmo serve e pronto!

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Foto: José Américo Mendes

Calma gente!  Um procedimento desses não é, em absoluto, o ideal, todavia, os imprevistos acontecem quando menos se espera e único caminho que nos resta, por vezes, é ignorar a boa técnica, quando você está no meio de um trabalho. Assim, a limpeza mais cuidadosa é feita sempre em casa e mesmo que você não tenha um quarto asséptico mas queira levar a coisa em “alto nível” use um saco plástico transparente e trabalhe dentro dele com luvas cirúrgicas.

Vale agora analisar cada ato descrito lá atrás, de uma forma mais responsável e profissional. Assim vamos : a opção do soprador é válida e do pincel macio também. Há, inclusive, sopradores que trazem o pincel na própria peça. Quanto aos pincéis, os melhores são de seda, ou de pelo de marta, mas não toque nas cerdas com as mãos nuas, para não contaminá-las com a gordura de suas mãos.

Também não há no país muitas opções de solução de limpeza que sejam confiáveis, embora haja quem use as soluções para a limpeza de óculos, vendidas nas óticas. Eu sugiro, como a melhor escolha, o álcool isopropílico – guarde o nome porque nenhum outro serve. Também não use líquidos limpadores de vidraças. Para aplicar e espalhar o líquido de limpeza use os lenços óticos, de papel, que  podem ser encontrados nas lojas de óculos e nada de papel higiênico, por favor! Uma boa escolha são os lenços de microfibra, à venda em  óticas e em algumas autorizadas de tv… Ainda assim há, contudo, algumas precauções: não use os mesmos lenços por longos períodos. Como eles tem alto grau de absorção à poeira, muitas vezes você pode estar reaplicando a sujeira que ficou no lenço e poderá arranhar a lente. Caso prefira lavar o lenço use um sabão neutro para não alterar a sua composição e assim mesmo não o use depois de duas, ou três lavagens.

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Foto: José Américo Mendes

Outra coisa: não use o lenço demaquilante da patroa (ou o seu, caso você seja mulher!). Ele pode ser ótimo para limpar cremes e sombras, mas a superfície de uma lente é algo mais frágil… Um conselho: observe a lente e se chegar à conclusão de que não precisa de limpeza, resista à tentação e não limpe apenas por hábito.

Ao aplicar, seja qual for o líquido de limpeza, faça-o umedecendo o lenço e não pingando na lente porque há sempre o risco de o líquido escorrer e infiltrar-se entre o vidro e o aro metálico pela ação capilar, mesmo que o fabricante jure que a lente é à prova de tudo. Faça a limpeza com movimentos circulares, partindo do centro para as bordas.  Pode parecer bobagem, mas já ficou comprovado que isso reduz o risco de arranhões. Além do que o movimento circular, do centro para as bordas leva o grosso da sujeira para o aro metálico, onde é mais fácil ser retirado.

Até agora falamos das lentes, mas há um outro elemento que requer cuidado:   o filtro!  Nos primórdios da fotografia ele servia, entre outras coisas, de correção para determinadas condições atmosféricas –  o UV suprimia a névoa matinal e o Skylight dava mais ênfase às cores da tarde, mas com o tempo acabaram por tornar-se elementos de proteção das lentes. Atenta a isso a Hoya lançou o PRO 1D, um filtro neutro, cujo papel é a proteção constante das lentes contra sujeira, pancadas e riscos. Afinal um filtro trincado não custa nada, se comparado a uma lente trincada. O PRO 1D aceita, inclusive, outros filtros e qualquer filtro pode ser limpo da mesma forma que uma lente.

Para terminar: a área de contato entre a objetiva e a câmera também merece uma olhada e, quem sabe, uma limpeza. Os contatos digitais que permitem a comunicação entre ambas requerem uma área limpa.  Não use para os contatos os mesmos lenços usados na limpeza da lente e do filtro. Caso use um soprador para limpar a área do espelho, vire a câmera “de boca para baixo”, enquanto trabalha, para que as partículas de poeira sejam removidas e expulsas com mais facilidade.

Para que você tenha uma ideia da importância das objetivas para alguns fotógrafos,  Robert Grey, da UPI,  estava em Hong Kong quando seu hotel pegou fogo. Enquanto os hóspedes eram retirados ele driblou os seguranças e voou para seu quarto, em cujo  andar o incêndio era maior. Quem viu o lance ficou à espera do que aconteceria e pouco depois ele retornou, todo sujo de fuligem, mas com o case de  suas objetivas. “E as câmeras?”, perguntou um colega. “O que vale são as objetivas”, disse ele, “as câmeras são meros suportes para elas…”

Uma última dica, para reforçar: não se deixe, levar pela síndrome da limpeza. Lembre-se de que a poeira está em todo o lugar e assim reserve seu tempo para fotografar, ao invés de só ficar limpando equipamento…

Semana da Fotografia 2017
José Américo Mendes

José Américo Mendes

José Américo Mendes é colunista do iPhoto Channel. Advogado, com formação fotográfica nos Estados Unidos, no retorno ao Brasil abriu um estúdio - Fundo Infinito - onde realizou durante doze anos inúmeros trabalhos para as principais agências do Rio de Janeiro enquanto mantinha um curso de fotografia que foi referência na cidade. Hoje, faz da fotografia um hobby, embora ocasionalmente faça trabalhos com fotos de divulgação de produtos e para a área de turismo. Há vinte anos é membro da British Photographers Association.

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