Neste sábado (28), o galerista Alex Bueno de Moraes inaugura a 1500 Babilônia, galeria de arte contemporânea localizada no morro da Babilônia, no Leme, zona sul do Rio de Janeiro, com a exposição Algumas coisas são perdidas para nunca mais serem encontradas, do fotógrafo Julio Bittencourt.
Com curadoria de Ilana Bessler, a mostra apresenta dezesseis imagens realizadas por Julio em locais abandonados – numa fábrica no centro de São Paulo e numa ilha no sul do Japão, onde pessoas viveram ou criaram negócios – com a intenção de registrar a passagem do tempo, o que levamos conosco e o que deixamos para trás.
Ao longo de dois anos e meio, Julio Bittencourt passou algumas noites nas duas locações escolhidas, clicando sempre à noite, no escuro, produzindo a maioria das imagens com longas exposições.
As fotografias mostram cenas mÃnimas, indÃcios ou vestÃgios que captam a essência dos espaços, como objetos muito antigos, cobertos de poeira – uma máquina de costura, uma banqueta, uma tevê, retratos familiares – ou janelas que mostram, além da passagem do tempo, resquÃcios da paisagem.
“São imagens residuais à s avessas, que se depositam em nossa mente não pela incidência luminosa, mas pela intensidade do escuroâ€, observa a curadora, que ressalta o modo como objetos e espaços carregam cicatrizes impressas pelo tempo e pelas pessoas que os vivenciaram, o que, em sua análise, conduz a uma questão universal: “Para onde vamos?â€.
“Talvez eu tenha levado a solidão e o silêncio ao extremo neste projeto, no âmbito pessoal, mas com certeza não deixei de fotografar pessoas – elas só não estavam mais láâ€, afirma Julio.
A exposição marca uma mudança de ares para Alex Bueno, que desde 2010 mantinha uma galeria em Nova York. O fato de escolher o morro da Babilônia como novo local de trabalho, ele acredita, irá inovar sua relação com clientes e colecionadores.
A mostra fica em cartaz até 26 de setembro, com as obras à venda por preços que vão de R$ 9 mil a R$ 18 mil. Mais informações no site www.1500babilonia.com.



