Autoral Retrospectiva

A sua foto de 2013: Luiza Prado

Pieta

Dois mil e quatorze surpreendeu a paulista Luiza Prado no meio de uma mudança. “Está tudo uma grande loucura”, diz a fotógrafa, que no próximo semestre vai fixar residência em Nova York (“se tudo der certo!”).

Luiza desenvolve ensaios com forte carga emocional, inspirados principalmente nas experiências difíceis que teve no passado. Do mesmo modo, a jovem de Guaratinguetá produz para o mercado fine art.

Entre os trabalhos que realizou em 2013, está esta releitura da Pietá. Para ela, foi o mais importante do período: “Foi minha primeira experiência fotografando homens nus e me surpreendi”, reconhece a artista, que desenvolvia um ensaio para a revista Efêmero Concreto quando decidiu fazer a foto. “Aproveitei que tinham várias pessoas posando nuas e chamei dois garotos, o Bernardo Mendes e o Danilo Rosa, e fiz o convite”, explica, acrescentando que a ideia foi questionar a intervenção da religião na política e o reflexo disso na sociedade, especialmente nas liberdades individuais.

“As pietás surgiram no final do século XIII. O pietá é a ‘Lamentação de Cristo’, o abraço sofrido da mãe no filho, depois da sua crucificação. Meu Pietá foi uma análise sobre a ‘ressurreição’ do amor, já que é essa umas das características de Cristo para os religiosos, os mesmos que depõem cheios de hipocrisia contra aqueles que amam somente por serem do mesmo sexo. Eu poderia ficar horas fazendo minhas analogias do cristianismo e a sociedade moderna, mas é um assunto que deve ser bem escrito para não causar conflitos. Eu respeito as crenças das pessoas e em momento algum quero ofender alguém, nunca é essa a intenção”, pondera a artista, que se assume pagã, embora – por ironia, segundo ela – seja sobrinha-neta do primeiro santo brasileiro, Frei Galvão.