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O momento decisivo de Bresson era válido apenas para fotógrafos ricos?

Livro de fotografia

Um dos fotógrafos mais renomados e reconhecido mundialmente foi o criador de um dos conceitos mais emblemáticos. Henry Cartier-Bresson desenvolveu o momento decisivo, quando todos os elementos da imagem encontram-se perfeitamente dispostos. As fotografias de Bresson retratavam as ruas e situações que muitas vezes eram simples, porém cheias de significados.

É a partir da observação que construímos nossas imagens. E para Bresson este processo era algo realizado incansavelmente. Parece que o fotógrafo ficou parado durante muito tempo esperando pelo momento perfeito, e com apenas um clique as fotografias mais emblemáticas nasceram. Mas é analisando o material da agência Magnum que podemos compreender como esse processo acontecia de uma forma bem diferente.

Em seu livro “Da cor” Edgard Moura nos apresenta uma visão um tanto quanto curiosa. É a partir do livro Magnum Contatos que a análise de Edgar começa, ele observa as inúmeras fotografias que foram realizadas do mesmo assunto. E tem como conclusão “Foto de rico. Gastar filme não era o problema deles, americanos ricos, era o nosso, fotógrafos pobres. Duros. Eles, os americanos ricos e Cartier-Bresson, nunca economizar um filme. Cada foto tinha 36 poses iguais. Era apertar o dedo sem parar e o momento decisivo aparecia.” Isso porque a fotografia analógica nunca foi tão barata e acessível quanto se pensa.

A quantidade de fotografias realizadas pelos fotógrafos da Agência Magnum não inferioriza a imagem e sua arte. E tirar apenas uma fotografia do assunto retratado não é uma regra, mas a visão poética de que era assim que as coisas aconteciam permeia a visão de muitos fotógrafos. Por isso é preciso entender a ação do dinheiro na fotografia, principalmente naquela época, quando as coisas poderiam acontecer de uma maneira bem diferente. “O momento decisivo estava só no contato, não no momento de apertar o disparador” conclui Edgar.

Em sua análise o autor ainda aborda o fato de que a fotografia digital trouxe justamente isso, a quantidade de fotos que pode ser disparada para captar uma imagem torna tudo mais fácil. E ainda assim comprar uma câmera digital não é para qualquer bolso. É preciso muita organização financeira e análise de compra.

Sobre o autor

Eliza Doré

Eliza Doré

Jornalista do iPhoto Channel é formada pela Univali em Comunicação social com ênfase em jornalismo e pós-graduada em Gestão Cultural, estudou fotografia documental em Buenos Aires.

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