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Debutantes: tudo igual, mas sem o noivo

Livro de fotografia

Fotógrafos sociais e afins, prestem atenção: há um segmento com excelente potencial esperando por vocês, tão glamoroso e desafiador quanto o casamento, mas sem a “mala” do noivo. Trata-se da fotografia de debutantes e quem os convida é Carina Silva, ela própria uma das poucas profissionais a cobrir essa área.

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Credite esse “poucas” também a ela. Carina diz que é uma pioneira no ramo. Pelo menos, não encontrou outro especialista no assunto, só fotógrafos “faz-tudo” é quem quebram um galho. Gaúcha de Novo Hamburgo, 27 anos, Carina é formada em jornalismo e fotografa há cinco anos. Antes igualmente uma “faz-tudo”, começou a concentrar sua atenção no dia de sonhos das meninas faz dois anos. Isso porque havia uma afinidade, “talvez pelo meu estilo, não sei ao certo. Muitas debutantes começaram a me procurar para fazer seus ensaios e eventos. Já que eu me dava bem com elas e gostava de fotografar teenagers, uni o útil ao agradável e decidi me especializar nessa área”.

Depois veio a constatação de que havia um latifúndio a explorar – seguida de um pouco de medo: “Assustei-me no começo, mas ao mesmo tempo percebi a vastidão de caminhos que posso tomar sendo uma das pioneiras no país”. Mas o que a espanta mesmo é ver tão pouca gente abraçando a área. “Percebo uma imensidão de fotógrafos procurando se firmar no ramo do casamento, por exemplo, sem perceber que o debute é tão importante e pomposo quanto. Existe toda uma estrutura por trás de cada evento, igualzinho no casamento. Tem vestido, bufê, decoração, salão, maquiagem, dia da debutante, bailarinos, barman, DJs… Por isso me pergunto o motivo de não haver mais fotógrafos especializados nessa área, porque é tão lindo e tão grandioso que deveria receber mais atenção”, derrete-se.

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Será porque o costume de debutar esteja fora de moda? Ao contrário, ela garante. No Rio Grande do Sul – e Carina acredita que nos outros estados também – a tradição está bem viva, e não apenas nas altas rodas: mesmo famílias remediadas gastam algum para apresentar suas filhas à sociedade. Também não se trata de um costume sazonal – afinal, meninas completam quinze anos todos os dias. “É um ramo que não te deixa parado nunca, pois até mesmo no inverno tem bastante ocorrência”, afirma a gaúcha, disposta a arrebanhar mais colegas à sua “causa”.

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Carina Silva por Lucas Alves
Carina Silva: cadê todo mundo?

Quem se interessou talvez queira saber como a coisa funciona. “Começamos fazendo o ensaio fotográfico da debutante, o qual é definido através dos gostos pessoais de cada uma. Ajudo em tudo, desde a escolha do local, passando pela maquiagem e montando looks. Depois do ensaio realizado e entregue, a debutante escolhe as fotos que irão para o banner, livro do ensaio, livro de assinaturas, quadro etc. Tudo isso é feito antes da festa, onde todas essas coisas estarão presentes”, enumera.

“Já no dia da festa, eu começo cedo, fotografando o dia da debutante no salão de beleza. Clico-a fazendo maquiagem, cabelo, colocando vestido. Nesse momento eu fotografo também o nervosismo, a ansiedade, os ensaios para coreografias, os carinhos dos pais, os sorrisos com as amigas. Na festa, juntamente com a minha equipe [ela vai com uma fotógrafa assistente, um videomaker e um assistente de iluminação], fotografo e filmo tudo, desde a entrada até a abertura da pista e dança”.

Os ensaios são feitos em locação e duram em média duas horas. Porém, Carina destina um turno do dia para cada menina. “Dessa forma, controlo o tempo do translado até a locação conforme a luz que desejo para o ensaio”.

Para que cada garota possa “render” na sessão, a fotógrafa dá algumas dicas e as faz se mexer para irem se soltando: uma jogada de cabelo aqui, um salto, um pique, e o sorriso vai amolecendo. “Sempre peço para elas que sejam divas nos ensaios: se sintam, se amem, sejam poderosas, sejam elas mesmas. Uso muito o queixo para cima, olhares vagos, mãos em movimento. Essas são algumas coisas que sempre trabalho em todos os ensaios”, revela a especialista, que lança mão de outros recursos para não ficar refém das “poses de xícara”: “Gosto muito de trabalhar poses de moda, que vão saindo conforme eu observo como o corpo de cada uma se movimenta. O que funciona com cada debutante. Na verdade, meus ensaios sempre têm toques artísticos relacionados à moda, algo que gosto muito. Obviamente existem meninas tímidas que demoram um pouco mais pra se soltar, mas vou conversando, fazendo as poses que quero que elas façam, brincando com elas e, eventualmente, elas se libertam”.

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DSC_5238Assim como nos casamentos, a família acompanha tudo de perto, e é preciso lidar com a ansiedade do pessoal. Carina leva isso numa boa – “afinal, temos sempre que lembrar que, apesar de serem lindas mulheres, elas também são menininhas para seus pais. É uma idade de transição, entre ser criança e adulta, menina e mulher. Acho isso tudo mágico e adoro a participação dos pais nisso tudo. É bom que eles saibam que suas filhas estão sendo tratadas bem e vejam todo o processo de produção do ensaio [que foi] pensado especialmente para elas”.

O toque final é dado no computador. Carina tem alguns presets do Lightroom que gosta de aplicar (o efeito “mate”, por exemplo), depois arremata com o Photoshop, retocando o que julgar necessário. E daí para as mãozinhas ansiosas da cliente.

Pode soar clichê, mas ela recomenda uma boa dose de “encantamento” a quem ficou tentado a investir na área. Envolver-se com esse universo: “É uma idade linda, onde a menina e a mulher existem na mesma pessoa. É uma idade de transição e esse ‘debutar’ para a sociedade é um grande evento na vida delas. Elas estão sendo apresentadas a todos como uma mulher pronta para começar a tomar suas próprias decisões. Além disso, é preciso ter um diferencial, as meninas estão sempre querendo novidades. Estar antenado no mundo teenager também pode ajudar na hora de conversar com elas”, sacou?

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Luisa (58)

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Sobre o autor

Alcides Mafra

Jornalista e colaborador do iPhoto Channel (alcidesmafra@iphotochannel.com.br)

2 comentários

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  • Oi, queridos!

    Nossa, muito obrigada pelo espaço no site. Fiquei muito feliz de poder falar um pouco sobre as minhas debutantes e o trabalho com elas.

    Muito sucesso à vocês!
    Beijão!

  • Parabéns Carina! Adorei o seu post e o seu trabalho. Também trabalho muito com book e 15 anos em Belo Horizonte e tenho uma pegada com moda. A propósito, belíssima sacada de “ser igual ao casamento, mas sem o noivo”. Vou até usar de vez em quando, haha. Um grande abraço!