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Obra de Lartigue volta ao Brasil

“Coco”, Hendaye, 1934 (negativo flexível, 9x15cm )

O francês Jacques Henri Lartigue (1894-1986) só teve a sua condição de grande fotógrafo do século 20 reconhecida em 1963, após uma pequena exposição no Museu de Arte Moderna de Nova York. Ainda assim, para seu espanto. Pintor e escritor, ele se considerava um amador, o que não o impediu de construir um importante acervo fotográfico, focado fundamentalmente em seu cotidiano de cidadão bem-nascido, cuja vida privilegiada conheceu poucos percalços. Tinha um olhar agudo principalmente para a ação, e é por isso que a retrospectiva que chega ao Brasil ganhou o nome de Jacques Henri Lartigue – A vida em movimento.

A exposição ocorre no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro (IMS-RJ), com abertura dia 14 (sexta-feira), às 19 horas, e é fruto de parceria entre o instituto brasileiro e a instituição francesa Donation Lartigue, que disponibilizou não apenas fotografias, mas fac-símiles de páginas de diários e álbuns, vistas estereoscópicas, autocromos e filmes, num total de 255 obras. A mostra tem curadoria de Martine d’Astier, diretora da Donation Lartigue, com colaboração de Élise Jasmin. As duas participam, na noite de abertura, de uma palestra do historiador Mauricio Lissovsky, especialista nas relações entre fotografia e história. O IMS-RJ também exibirá, durante o período da exposição, alguns clássicos do cinema francês. A mostra ficará em cartaz até 15 de setembro, com entrada gratuita.

Filho da alta burguesia parisiense, Lartigue jamais precisou ir à escola, servir ao exército ou arrumar emprego. Com tanto tempo livre, pôde se dedicar às artes. Ganhou sua primeira câmera aos oito anos de idade e foi um obstinado fotógrafo por toda a vida. Tinha manias de colecionador: reuniu suas fotos em 135 álbuns, que ele mesmo diagramou e legendou. Gostava ainda de classificar os negativos, recortar e selecionar suas provas. Uma compilação das imagens dos álbuns é o que o público verá na exposição no MIS, complementada por citações extraídas de seu diário, uma seleção de fac-símiles expostos em vitrines, em seu formato original (são páginas de álbuns e de agendas ilustradas com rascunhos), além de tiragens de época, um filme rodado em família durante o verão de 1914 e documentos testemunhando a história de seu reconhecimento como fotógrafo.

“Tempestade em Nice”, 12 de março de 1934 (Negativo flexível, 9x12cm)

A vida em movimento também apresenta aspectos mais técnicos de sua obra, como os autocromos, suas primeiras fotografias em cores e as fotos estereoscópicas, que permitem ver as cenas em relevo, mostrando que, além de amador, Lartigue foi um fotógrafo bem informado e atento às inovações técnicas.

Suas imagens mostram cenas de viagens familiares, retratos de amigos, atividades esportivas. Lartigue capturou com sucesso os instantes mais fugazes, especialmente os corpos e objetos em movimento, saltos e cambalhotas, carros em alta velocidade, aviões no ar, quedas e mergulhos. Em 1979, Lartigue doou ao estado francês toda a sua obra fotográfica e conseguiu que fosse criada uma associação de amigos sob a tutela do Estado. Com isso, foi instituída a Donation Jacques Henri Lartigue, que conserva, administra e divulga a obra do fotógrafo no mundo inteiro por meio de exposições, publicações, filmes e livros, além da venda de tiragens para colecionadores. No site do IMS é possível saber mais sobre o artista e a exposição.

“A pipa. Louis e monsieur Hubert Laroze”, Rouzat, agosto de 1911 (negativo em vidro, 9x12cm)
“Partida de vovô Messager: Sacha [Guitry] na plataforma da estação”, Cap d’Ail, 19 de setembro de 1927 (negativo flexível, 9×12 cm)
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