A altiva jovem com o Kalashnikov a tiracolo, posando na paisagem árida, não poderia ganhar de Celso Bayo apelido melhor: “Maria Bonitaâ€. A imagem, indicada na segunda edição do importante prêmio internacional Annual Photography Masters Cup – International Color Awards, é uma das cenas fotografadas por ele ao longo de seu projeto de documentação da Ãfrica.

Celso Antunes Onofre, o Celso Bayo, um paulistano que vive na Califórnia (EUA) desde 1995 e que começou sua trajetória fotográfica em Nova York, resolveu embarcar em um documentário de fôlego sobre aquele continente. A primeira parte foi concluÃda com Mulheres Africanas, exposição da qual Maria Bonita faz parte e que pode ser vista na Studio In, loja de móveis exclusivos da Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 399, em São Paulo.
Celso decidiu mostrar a Ãfrica a partir de suas mulheres por uma questão de reconhecimento. Segundo diz, a força exibida por elas no cotidiano sempre o impressionou, um reflexo do instinto materno cuja presença lhe é reconfortante. Porém, pretende abordar outros aspectos no futuro, como a música local e seu efeito terapêutico sobre a população do continente.
A primeira etapa do projeto foi concluÃda em quatro meses, durante os quais Celso percorreu regiões da Tanzânia, do oeste de Uganda até a fronteira com Ruanda e Congo, do interior e da costa do Quênia até a fronteira com a Somália e, na Etiópia, da região do Omo Valley até as montanhas de Lalibela. Foi um perÃodo em que o brasileiro pôde conhecer as dificuldades que assolam a paisagem africana, mas também ver a beleza expressa na paisagem e no povo dessas regiões, especialmente nas mulheres, cujos traços étnicos e culturais as diferem, por um lado, mas também aproximam.

Mulheres Africanas, com 30 imagens de um total de 3 mil, foi exibida pela primeira vez em fevereiro de 2007, no Espaço Cultural Banco Central do Brasil, na capital paulista. Em maio esteve em São João Del Rei (MG), ao que se seguiram outras datas pelo paÃs nos anos seguintes, e rendeu a Bayo uma menção honrosa no 3º Prêmio Espaço Cultural do Banco Central de Arte.
O objetivo de Celso Bayo é retomar seu projeto nos próximos dois anos. Atualmente, ele se dedica a cobrir esportes, para revistas brasileiras e norte-americanas e tem se dividido entre os Estados Unidos e o Brasil, onde desenvolve outros projetos de fotografia documental.
