História da Fotografia

A história por trás da foto: monge em chamas

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O monge budista Mahayana Vietnamita Thich Quang Duc sentou-se num movimento cruzamento em Saigon, no Vietnam do Sul, e ateou fogo em seu próprio corpo, em 1963. A imagem foi capturada pelo fotógrafo Malcolm Browne à serviço da Associated Press, que posteriormente veio a receber o prêmio Pulitzer pela imagem.

O ato de Thich Quang Duc tinha um propósito, o monge budista protestava contra o regime de Ngo Dinh Diem, primeiro presidente do Vietnam do Sul. Sua política era discriminatória ao budismo, o monge combatia as formas de opressão sofridas e buscava por igualdade. A bandeira budista havia sido proibida de hasteamento e o presidente Ngo Dinh Diem tinha uma posição extremamente católica , sendo que 70-90% da população no Vietnã era budista.

Os protestos aconteciam a cerca de um mês quando no dia 10 de junho de 1963 a informação de que algo importante aconteceria no dia seguinte, no endereço indicado. O jornalista David Halberstam, do The New York Times e Malcolm Browne, da Associated Press foram alguns dos únicos que chegaram no local para cobrir os acontecimentos. No dia 11 de junho encontraram o monge budista saindo do carro acompanhado de mais duas pessoas. No cruzamento se encontravam cerca de 350 monges e monjas que chegaram ao local por meio de uma marcha em protesto contra o governo de Diem.

Uma almofada foi posicionada no meio da estrada onde Thich Quang Duc sentou-se em posição de lótus e meditando recebeu o despejo da gasolina em seu corpo. Duc rezou e recitou as palavras Nam mô A di đà Phật (“homenagem ao Buda Amitābha”) e então acendeu um fósforo ateando fogo em seu corpo.

Um silêncio profundo dominou a situação, pessoas choravam e rezavam, todos completamente vazios de reação maior. Dizem que o monge não gemeu, não gritou e não moveu um músculo sequer. A situação demorou cerca de dez minutos para acabar, até o corpo ser cair de costas. Os monges o cobriram com vestes amarelas e o colocaram em um caixão, em seguida seu corpo foi cremado em cerimônia.

O coração de Duc estava intacto mesmo depois das chamas, foi colocado em um vidro e guardado no Tempo Xa Loi, considerado um símbolo de compaixão. A turbulência religiosa se instalou e outras autoimolações aconteceram. Um golpe de estado acabou com o governo católico de Diem.

O monge budista Thich Quang Duc havia deixado uma carta em que falava sobre seu posicionamento e pedia compaixão a religião.

“Antes de fechar meus olhos e me mover em direção à visão do Buda, peço respeitosamente ao Presidente Ngo Dinh Diem que tenha uma mente de compaixão para com o povo da nação e implemente a igualdade religiosa para manter a força da pátria eternamente. Eu chamo os veneráveis, reverendos, membros da sangha e os leigos budistas para se organizar em solidariedade para fazer sacrifícios para proteger o budismo ”.

Fonte: Rare Historical Photos

Sobre o autor

Eliza Doré

Eliza Doré

Jornalista do iPhoto Channel é formada pela Univali em Comunicação social com ênfase em jornalismo e pós-graduada em Gestão Cultural, estudou fotografia documental em Buenos Aires.

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