
Você os vê vadiando em todo canto: cães que por algum motivo foram abandonados ou já nasceram nas ruas. Vira-latas. A maioria das pessoas não se preocupa, mas alguns se incomodam bastante com a situação desses bichos. E resolvem ajudar.
Em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, 12 mil animais (incluindo os gatos) são postos no olho da rua anualmente. A estatÃstica está no site do Animalia, da paulistana Mariana Simon, de 25 anos, que divide seu tempo entre fotografar pets comercialmente e clicar voluntariamente os abandonados para ajudá-los a arranjar um lar.
Há dois anos ela desenvolve o projeto “+amigoâ€. Uma ideia que surgiu ao fim do seu curso de publicidade e propaganda. “Na monografia, trabalhei um problema latente e grave na cidade, pouco desenvolvido pelos setores polÃticos. Estudei o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), seus problemas e os reflexos problemáticos em relação ao universo animal na cidade. Concluindo o curso quase conseguimos aprovar uma parte das sugestões propostas para o CCZ, mas, como sempre, eles postergaramâ€, lamentou.
Mariana sabia que não havia muita informação sobre adoção e guarda responsável de animais de estimação. “Resolvi investir em todo o potencial da fotografia como ferramenta comunicacional, com a intenção de criar algo realmente efetivo, que alcançasse e informasse o maior número de pessoasâ€, decidiu. “E mais do que isso, que ressaltasse a beleza natural que os animais disponÃveis para adoção apresentam, apesar de todo o sofrimento, sendo capazes de conquistar o espectador, sugerindo a adoção como uma opção consciente e benéfica tanto para o animal quanto para o adotanteâ€, reforça.
A fotógrafa tem obtido bons resultados em sua campanha: “Já chegamos a alcançar semanalmente 40 mil pessoas através do Facebook, houve uma evolução na qualidade das informações divulgadas, incentivamos algumas adoções através das fotografias, propagamos campanhas e mensagens de guarda responsável, conseguimos mais espaço para o assunto ‘adoção’ na mÃdia, veiculamos inclusive uma campanha apenas com animais disponÃveis para adoção através de outdoorsâ€, enumera.
Até aqui já foram fotografados mais de 150 animais. “A princÃpio, comecei com o Adoção Especial [projeto paralelo ao ‘+amigo’], no qual fotografava apenas animais com alguma restrição fÃsica, sequela neurológica, ou algo que dificultasse sua adoção, mas a quantidade de animais abandonados e recolhidos era tão alta que acabei por estender e ajudar a maioria deles. Escolhi uma das ONGs da cidade pela conduta de trabalho apresentada, e até hoje fotografo os animais delesâ€. Os bichos são fotografados em eventos de adoção, com a assistência de um voluntário. Após isso, as imagens são tratadas e publicadas.
“A cada três meses abrimos as inscrições para os interessados em participar das novas etapas do projeto. Este mês encerramos as inscrições com quase 50 cães cadastradosâ€, comemora Mariana, que, não bastasse isso, ainda reverte algum dinheiro dos seus trabalhos particulares para o projeto. “Atualmente, todos os ensaios do ‘+amigo’ são voluntários e cedidos integralmente pelo Animalia, sem patrocÃnio ou suporte financeiro de terceiros. Sou a única fotógrafa do projeto, durante os ensaios conto com o auxÃlio de voluntários, mas já temos cadastrados alguns fotógrafos interessados em participarâ€, afirma.



