Fotografia como ferramenta de autoconhecimento

Profundezas esquecidas.

A fotografia exerce muitas funções conforme o nosso modo de enxergá-la e essa faísca depende de como nos relacionamos com sua potencialidade criativa. Ao entendermos a fotografia como ferramenta de expressão pessoal, em algum momento também iremos compreender que, para expressar alguma coisa, precisamos refletir sobre o que é importante na nossa vida e sobre quem somos em relação ao mundo e a nós mesmos.

Se não nos questionarmos ativamente, a fotografia (e tantas outras coisas) ficam no limbo do senso comum, da superficialidade de tudo. Não conseguimos construir uma imagem com profundidade se não explorarmos nossas próprias profundezas. Porém, assim como toda reflexão de si, traz riscos, dor e levanta poeiras que já estavam ali, impassíveis. Não é esperado que seja um processo confortável, pois quando olhamos para esse fundo, tão protegido de nós mesmos, encontramos vazios esquecidos, cicatrizes veladas. Precisamos de tudo isso. Fotografamos com tudo isso.

A fotografia é poderosa e nos oferece um espaço para colocarmos nela tantos agudos quanto tivermos e a partir daí entender, permitir a existência, lidar e compartilhar. A sensação de se enxergar em uma imagem é ímpar. É uma relação complexa, claro, cada indivíduo carrega consigo universos inimagináveis para qualquer outro ser, busco aqui que o florescer de fagulhas se aproprie desses múltiplos frutos para construção do terreno fértil.

Medo e força acompanham esse processo criativo que é jornada única de cada fotógrafa e fotógrafo, mas carregamos conosco esse punhado de possibilidades doídas. Todos temos a chance de usar ou não. Quanto mais pensamos nossa fotografia a partir das nossas vivências, com mais vigor ela se torna nossa, atravessa nossa carne e nossos silêncios. Nenhuma imagem que nasce desse lugar terá possibilidade de ser igual a outra, pois a bagagem que carregamos é somente nossa. Não é sobre visualidade e sim sobre autoconhecimento.

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