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The Kreulichs: é arte, mas também é negócio

Seria tudo mais simples se apenas aptidão e um bom equipamento bastassem para fazer do sujeito um fotógrafo bem-sucedido. Em que pese a dificuldade que manejar com destreza a câmera já representa, as longas horas de dedicação e estudo para estabelecer um estilo, é preciso espírito empreendedor para se dar bem no ramo. Trata-se de arte, é claro, mas também é um negócio.

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Essa preocupação norteia boa parte das ações de Junia Lane e Lícius Kreulich, casal carioca que atua sob o nome The Kreulichs e pratica fotografia “com o coração”, como eles fazem questão de apresentar o seu jeito leve de registrar casamentos e famílias. Junia tem 28 anos e um histórico profissional anterior à parceria. Lícius, de 30, clicava sem compromisso. A reunião foi marcada por uma série de acasos.

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Junia e Lícius: diversidade e união

“Nosso encontro foi uma dessas surpresas misteriosas da vida”, começa Junia. “Descobrimos que tínhamos amigos em comum, mas que estiveram em momentos diferentes em nossas vidas. Também descobrimos que nossos pais quase se conheceram quando iam vender/comprar um carro (aliás, nossos pais tiveram o mesmo carro!). Na casa das nossas mães descobrimos que elas tinham pratos semelhantes, daqueles que só têm uma peça, sobra de um jogo antigo, sabe? Descobrimos que passamos por um mesmo colégio, descobrimos que os dois já haviam vivido um caso de amor com a fotografia… e, no tempo certo, no tempo que estávamos prontos, nos encontramos. São coisas simples e detalhes pequenos que nos falam que sempre existiu um ‘nós’ esperando por nós”, ela filosofa.

Conduzidos pelo inexorável, os dois se casaram em 2011 e passaram a dividir não só a casa, como o escritório. No princípio, foi a busca pela linguagem, um modo de fazer fotografia que não fosse puramente tecnicista, ou comercial. “Algo que pudesse levar mais sentido para as pessoas e trazer mais sentido para nós também”, expõe a fotógrafa sua ideia, sedimentada no projeto desenvolvido por eles como forma de externar essa busca, o AME Project. “Foi um marco muito importante para nós porque mexeu muito conosco”, ela afirma.

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Agora, eles estão às voltas com um novo projeto, que tem caráter didático e está focado no lado mais pragmático do ofício. Chama-se “Acordar” e lida com a noção de que o fotógrafo desempenha outros papéis em sua rotina: o de chefe, empresário, publicitário e assim por diante. “Por isso, o projeto visa três funções básicas efetuadas pelo fotógrafo, que são: empreendedor, gerente/técnico e artista. Achamos que são questões importantes porque, em geral, uma grande parte das pessoas entra [nessa carreira] por aptidão e paixão pela fotografia, mas desconhecem as funções que estão por vir e algumas responsabilidades que terão que assumir e que, no decorrer do tempo, não são simples”, Junia explica.

A primeira rodada do projeto ocorreu no início do mês, em São Paulo. Para saber mais sobre ele, clique aqui.

Os Kreulich estão baseados no Rio, porém atuam bastante fora do estado e mesmo no exterior. Os Estados Unidos têm sido um destino frequente. Essa circunstância exige também alguns arranjos na rotina doméstica. “Tem seus pontos positivos, mas também negativos”, reconhece a fotógrafa. “Mas é sempre melhor nos apegarmos aos positivos”.

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Fato é que o casal respira fotografia. E, mesmo que sombreada por um título comum – The Kreulichs – a individualidade não se perde. Cada qual contribui com seu background e maneira única de ver. Junia explica: “O olhar é como a personalidade. Cada um interage com o meio de uma forma pessoal e por isso enxerga o meio de forma pessoal também. Isso é intransferível. Claro que, com a convivência, não só na vida profissional mas também no dia a dia, acabamos nos afinando e tendo cada vez mais comportamentos afinados e, devido a isso, vamos tendo também um resultado mais coerente no nosso trabalho mas, ainda assim, com a característica de cada um. O que também é bom para se ter uma diversidade unida e uma união diversificada”.

Questão de estilo? Ela não sabe dizer. “Basicamente nosso estilo de fotografia é o nosso estilo de vida. Clicamos o que vemos e da forma que vemos. Procuramos simplicidade para mostrar a coisa mais complexa que existe que é um sentimento que é ‘expressável’ e ao mesmo tempo invisível. Pensamos que não podemos tentar engrandecer um sentimento expressando-o de forma mais pomposa numa imagem e nem diminui-lo, expressando-o de forma que não o transmita. Pensamos em tentar transmitir o simples e verdadeiro da forma mais próxima do que conseguimos enxergar como real, mesmo sabendo que a realidade ‘deixa de existir’ a partir do momento que alguém observa”, pondera.

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Alcides Mafra

Alcides Mafra

Jornalista e colaborador do iPhoto Channel (alcidesmafra@iphotochannel.com.br)

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