Autoral Fotografia de família

Annete Owatari, fotógrafa de gente

Parece óbvio supor que alguém que fotografe pessoas necessariamente goste de gente. Porém, nem sempre a lógica prevalece, conforme a quantidade enorme de insatisfeitos com o trabalho que há por aí pode atestar. Não é o caso de Annete Owatari. Conhecida entre os clientes e chegados pelo riso fácil, falante – conforme ela mesma define –, a catarinense de 32 anos foi à fotografia justamente para dar vazão ao seu temperamento comunicativo. “Nasci para trabalhar com pessoas, estreitar relações, criar laços. Isso me faz feliz”, afirma.

De ascendência nipônica, Annete deixou o curso de turismo e hotelaria pela metade e embarcou para o Japão antes de assumir a atual atividade. Em 2009, após cinco anos vivendo no exterior, começou a se interessar por fotografia. Voltou ao Brasil dois anos depois, e desde então vem buscando seu espaço no mercado.

“O ano de 2012 foi bastante importante para mim, um ano de mudanças, de estruturação e de muito conhecimento”, avalia a catarinense, que não perde oportunidade de aprimorar o que sabe, trocar experiências e desenvolver sua fotografia.

Annete Owatari: “Nasci para trabalhar com pessoas” (foto: Alex Neto)

“O maior desafio para mim hoje, independente de um ensaio com uma pessoa ou um evento com muitas, é conseguir deixar a minha marca, é fazer com que as imagens falem ao espectador. A minha busca é e sempre será por um trabalho cada vez mais autoral”, destaca, o que explica a escolha das imagens que ilustram este texto.

A fotógrafa natural de Florianópolis (SC) faz principalmente ensaios com mulheres e crianças – aos poucos, vai caminhando no sentido da fotografia de casamentos. Tudo, no entanto, se reduz a uma proposta simples: fotografar pessoas. “Eu sempre quis trabalhar com algo que me proporcionasse um prazer diferente todos os dias, que me desse a oportunidade de entrar na vida das pessoas com alegria e que eu pudesse de alguma maneira fazê-las mais felizes”, resume ela a sua filosofia.

Na busca desse entendimento, o que para a fotógrafa faz toda a diferença no resultado do ensaio, vale ir na casa do cliente, conversar bastante, mostrar referências. “Não costumo levar muitos equipamentos para o dia do ensaio, lembro que uma vez fiz um ensaio inteiro com uma 85mm num espaço superlimitado, o que me fez criar muito. O resultado foi muito bacana”.

Trabalhando sempre em locação e com raras intervenções do flash (“costumo dizer que onde existe uma janela existe uma grande fotografia”), Annete tem a seu favor as belas paisagens da capital catarinense. “Morar em Florianópolis ajuda muito com certeza, existem muitos lugares a serem explorados. Gosto muito dos casarões que temos por aqui. Sempre saio em busca de um local interessante. Quando preciso fotografar em lugares que já estive, volto outras vezes especialmente para estudá-los e criar algo novo”.

Inquieta, curiosa, a moça está sempre em busca de referências para suas criações, sejam fotógrafos consagrados ou jovens talentos: “Me encanta a doçura e a leveza das imagens de Doisneau, a inocência e a alegria com que Elliot Erwitt lida com as situações, a divertida relação da fotografia de Philippe Halsman com Dali é inspiradora”, exalta Annete, que rende tributo também ao pintor holandês Johannes Vermeer: “É uma das principais referências, sem dúvida”.

Sobre o autor

Alcides Mafra

Alcides Mafra

Jornalista e colaborador do iPhoto Channel (alcidesmafra@iphotochannel.com.br)

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