Fotografar demais pode fazer mal à memória

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Esta é uma notícia no mínimo paradoxal: segundo um estudo publicado por uma universidade norte-americana, o hábito de tirar fotos prejudica a memória. Exatamente isso. A conclusão é baseada numa experiência feita por pesquisadores da Universidade de Farfield e foi publicada este mês na revista Psychological Science.

O estudo foi feito com alunos da própria faculdade e consistiu em levar o grupo para um passeio a um museu de artes. Os alunos foram orientados a tomar notas de algumas obras, seja apenas observando ou fotografando.

No dia seguinte, eles foram questionados a respeito do que viram. Os alunos que apenas observaram foram capazes de dar mais informações a respeito das obras que os colegas que fizeram fotos.

“Quando as pessoas confiam na tecnologia para lembrar por elas, contando com a câmera para registrar acontecimentos e, portanto, sem precisar ficar atentos totalmente a eles, isso tem um impacto negativo na forma como recordamos nossas experiências”, concluiu a psicóloga Linda Henkel, responsável pelo grupo que realizou a pesquisa.

Ela acredita que o hábito de clicar indiscriminadamente, potencializado pela tecnologia digital e pela consequente profusão de dispositivos capazes de tirar fotos, faz com que as pessoas deixem de aproveitar seus momentos, preferindo acumular centenas de imagens que, acreditam, poderão rever mais tarde. No entanto, essas fotos acabam esquecidas no fundo de algum HD, e o exercício de rever essas imagens, importante para estimular a memória, acaba não ocorrendo.

Outra conclusão inesperada da pesquisa foi que o uso do zoom da câmera ajuda na memorização total de um objeto, e não apenas da parte que o recurso aproximou. “Esse resultado mostra que o olho da câmera não é igual ao da mente”, observou Linda.

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