Estúdio Fotografia de família Iluminação

Tyto Neves: questão de linguagem

Você tem filhos pequenos em casa? Tyto Neves tem. E foi olhando a rotina televisiva dos seus que ele achou um nome bacana para apelidar sua luz predileta: Luz de Pocoyo. Para quem não está tão familiarizado, trata-se do nome de um desenho animado espanhol querido pelos mais novinhos. E o motivo da relação é que, no desenho, os personagens interagem diante de um fundo totalmente branco. Trocando em miúdos, Tyto é fã de high-key, a luz de recorte (neste vídeo, ele explica melhor).

Embora adote como marca registrada a luz do Pocoyo, Tyto Neves é um fotógrafo de muitos recursos (as fotos aqui mostradas atestam isso). No entanto, o paulistano de 42 anos obcecado por Fuscas – tem um modelo 1983 – parece nadar contra a corrente da fotografia de família feita ao ar livre. Ao contrário do que parece ser a tendência atual, o trabalho de Tyto se dá mesmo é no estúdio. Por um motivo simples: ele não abre mão da direção.

“Eu tenho um Fusca”: Tyto não abre mão da direção das fotos (foto: Valéria Jacomette)

“O pessoal está fugindo do olho no olho”, afirma o autor do livro Retratos de Família (editora iPhoto, 2012). Para ele, o que acontece com maior frequência nesse segmento da fotografia é o profissional deixar seus modelos soltos em alguma bonita locação e seguir apenas documentando o que eles fazem. “Não há interação”, argumenta.

Não se trata de aversão à fotografia em externa. Tyto Neves até gosta de fotografar fora do estúdio (quem não gosta?). No entanto, além do aspecto da direção, que a luz de recorte obriga o fotógrafo a exercer – e bem –, o trabalho diante do fundo infinito acrescenta ao profissional um entendimento da iluminação que pode levar sua fotografia a outro patamar.

“E a luz natural, quando somada ao flash, fica excelente”, acrescenta Tyto, que pode falar isso por experiência – tem quase quinze anos de fotografia. Sua lógica é: se o sujeito aprender a dominar o ambiente do estúdio, estará apto a fotografar qualquer coisa – casamento, sessão externa, o que for.

O caso é que muita gente foge a esse aprendizado por questões econômicas: ter um estúdio, acreditam, custa caro. Segundo Tyto, o investimento não é assim tão alto, na medida em que pode ser feito por etapas – na medida em que os “jobs” forem surgindo, o profissional vai melhorando seu instrumental.

De todo modo, aborrece Tyto ouvir que fundo branco é “caretice”. Ou que seja coisa simples de fazer (“não é”). O que lhe importa saber nessa história toda é que a Luz de Pocoyo representa uma linguagem, um estilo. “E a linguagem é um filtro natural de clientes”, define. Tyto escolheu a sua e segue feliz com ela. Seus clientes também.