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Estúdio: sombrinha é opção boa e barata

Livro de fotografia

Alguns fotógrafos torcem o nariz para elas. A principal queixa é que espalham demais a luz e “comem” potência do flash. Porém, não dá para negar que são práticas – e melhor, baratas. Sombrinhas existem de vários tipos, tamanhos e servem tanto para difundir quanto para rebater a luz. Para quem está começando a montar um estúdio, não importa o segmento, são uma ótima opção.

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Newton Medeiros: a luz das sombrinhas “é muito boa”

Então, porque muita gente não gosta delas? Além da justificativa acima, há um pouco de preconceito, afirma o paulistano Newton Medeiros. Com dezoito anos de carreira, Newton, que completa 50 anos na próxima segunda (25),  possui estúdio em Guarulhos (SP) e desenvolve trabalhos nas áreas de publicidade, moda, família e newborn (“minha mulher, Silvia Figueiredo, se encantou com esse mundo. Ela cuida de tudo e eu dou o clique”, brinca). Ele também ministra cursos, colabora com publicações do ramo e é autor dos livros Estúdio na prática (volumes 1 e 2) e das videoaulas Estúdio prático (também em dois volumes).

“Eu ensino a fotografia há 16 anos, sei das dificuldades de quem está começando, e a sombrinha é o modificador mais barato entre todos, sendo que a qualidade da luz é muito boa”, garante o especialista, que inclui em sua caixa de ferramentas vários desses acessórios, inclusive para fotografar em externas. “As sombrinhas Eclipse são usadas no mundo inteiro por grandes fotógrafos, inclusive no estúdio da Burti, no Brasil”, destaca.

Mas melhor que falar é fazer. Medeiros generosamente concordou em demonstrar como diferentes tipos de sombrinha afetam a fotografia. Ele realizou o ensaio usando equipamentos Atek, Mako e RadioFlash (pelos quais agradece aos fabricantes), e tendo como modelo Ingrid Müller. A produção foi de Silvinha Figueiredo e a maquiagem e cabelo de Daniela Santos. “Lembrando que as sombrinhas estão na mesma angulação de 60 graus, na mesma altura – mais ou menos 2 metros –, na mesma distância da modelo (2 metros), o que variou foi o diâmetro. Eu usei uma Nikon D700. Quase todas as fotos foram apenas editadas no Lightroom”, acrescenta Newton. Veja abaixo os resultados e os comentários do fotógrafo:

 

Sombrinha branca

“A sombrinha rebatedora de branco tem como característica uma luz bastante suave. É uma sombrinha utilizada em quase todos os kits. Essa é uma sombrinha bastante antiga. Eu coloquei ela na lateral da modelo, como dá para perceber pelo making-of. Coloquei um pouquinho lateral, no lado esquerdo do fotógrafo, com uma angulação de mais ou menos 60 graus. A distância da modela é de 2 metros, a altura também de 2 metros. A sombrinha tem 60cm de diâmetro. Eu usei uma máquina Nikon D700, com ISO 200, abertura de 5.6 e velocidade de 1/160”.

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Sombrinha branca: luz suave

Sombrinha prata

“Uma luz bastante contrastada, bem mais dura do que a sombrinha branca. A gente percebe pelo fundo: mais escuro, mais acinzentado, uma luz mais dramática. As duas têm as suas diferenças: a branca é bastante suave e a prata é uma luz mais dura. Isso é uma questão de gosto. A posição é a mesma da sombrinha branca, só que, por ser um pouco mais intensa, tive que fechar o diafragma um pouquinho. Então, está com f/8, velocidade 1/160, ISO 200”.

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Sombrinha prata: luz mais dramática

Sombrinha difusora

“A sombrinha difusora é muito parecida com a branca, mas não tão suave, porque a branca espalha mais, quando você joga a luz contra a sombrinha, ela rebate e espalha para todo lado e acaba ficando mais suave. Mas a sombrinha difusora tem uma característica bem interessante: ela fecha um pouquinho mais o ângulo de luz e dá um pouquinho mais de contraste que a branca. Eu gosto mais, me lembra muito os difusores hazy (diafragma 5.6, ISO 200, velocidade 1/160)”.

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Sombrinha difusora: um pouco mais de contraste que a branca

Sombrinha dourada

“Hoje, eu não vejo muito custo-benefício nessa sombrinha, porque ela é muito parecida com a prata, com bastante contraste, só que ela fica com esse tom amarelado, coisa que poderia ser feita diretamente na temperatura de cor. Com uma pessoa como essa modelo, a Ingrid, a sombrinha dourada deixa muito amarela. Eu acho que fica mais bonito em peles morenas (diafragma 8, ISO 200, velocidade 1/160)”.

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Sombrinha dourada: baixo custo-benefício

Sombrinha mista

“Essa sombrinha eu peguei há pouco tempo. É uma sombrinha da Mako. Ela lembra bastante uma sombrinha para dançar frevo: tem uma parte dourada, uma parte prata, outra dourada… Nesta foto, você percebe o rosto da modelo mais dourado, as pernas mais prata, o fundo fica mesclado: ele começa a ficar um pouco branco, um pouco dourado,  meio azulado nas sombras. É uma sombrinha que também tem um contraste alto, lembrando as sombrinhas prata e dourada, que são de contraste mais alto. Mas eu gosto bastante, eu acho interessante essa brincadeira. Ela não dá aquela coisa muito amarelada na modelo e fica bem diferenciada (diafragma 8, ISO 200, velocidade 1/160)”.

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Sombrinha mista: “brincadeira” interessante

Sombrinha perolada

“Uma das sombrinhas que eu mais gosto de todas essas. É a sombrinha da marca Eclipse, ela é perolada por dentro. Essa sombrinha pode ser difusora e rebatedora. Essa parte que eu usei dela é a parte rebatedora, a parte perolada. Ela tem um pouquinho mais de contraste que a branca, mas não fica tão contrastada como a prata. Então, ela fica no meio-termo. Gosto bastante da cor de pele que ela deixa. É a sombrinha que, no meu dia a dia, eu mais uso (diafragma 5.6, 1/160, ISO 200)”.

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Sombrinha perolada: contraste no meio-termo

Sombrinha perolada 1,50m

Esta última sombrinha, também perolada, da Eclipse, com um diâmetro de 1,50m. Deu para perceber que ela é um show de bola, né? Tanto na cor quanto na suavidade da luz. Ela tem também um contraste, porque não é aquela sombrinha tão suave, mas a gente percebe que quanto maior o diâmetro da sombrinha, a luz abraça mais o modelo. Nesse caso, além de abraçar mais, reduzir a intensidade da sombra, também dá um contraste na pele: perceba bem perto do rosto. Então, é muito agradável usar essa sombrinha. E tem as outras sombrinhas no mercado, como da Mako de 1,80m, acho que a Atek também tem, e aí tem aquelas sombrinhas importadas que vêm com 3, 4 metros de diâmetro, que não tinha para testar. Mas, enfim, já fotografei com uma de 4 metros de diâmetro, da Prophoto, que é show de bola. Mas também o custo dela é absurdo” (diafragma 5.6, ISO 200, velocidade 1/160)”.

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Sombrinha perolada de 1,50m: suavidade e contraste

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Sobre o autor

Alcides Mafra

Jornalista e colaborador do iPhoto Channel (alcidesmafra@iphotochannel.com.br)

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