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Você tem uma lente fotográfica antiga? Ela pode ser radioativa

Lentes antigas são um tesouro da fotografia. Além das distorções óticas e aberrações que só elas têm – e que deixam as imagens únicas, elas tem um preço muito abaixo das atuais. Às vezes basta um adaptador M42 em sua câmera para abrir milhões de possibilidades de objetivas diferentes. Porém, algumas delas têm um segredo curioso: elas são radioativas. O site Camerapedia listou nada menos do que 54 lentes radioativas – e você certamente vai querer dar uma olhada se acaso sua objetiva está entre estas (tem Canon, Nikkor, Carl Zeiss, Kodak, Olympus…)

Bonitinha e radioativa: Carl Zeiss Tessar 80mm f/2.8
Bonitinha e radioativa: Carl Zeiss Tessar 80mm f/2.8

Há inclusive um canal no Youtube exclusivo para testes de radioatividade das lentes, tanto antigas quanto novas. Veja abaixo o vídeo com a medição da Pentax 50mm f/1.4, bastante popular entre fotógrafos que usam objetivas antigas.

“Alguns fotógrafos afirmam que esta lente é uma das melhores já feitas, e a utilizam como uma das suas favoritas, apesar da radioatividade”, diz o canal uyt384 sobre a Pentax 50mm f/1.4.

A radioatividade em lentes de câmera antigas ocorre devido ao uso generalizado de elementos de vidro de tório dos anos 1940 aos 1970. O óxido de tório é altamente refrativo e de baixa dispersão, ou seja, produz vidro de alta qualidade e mais barato, o que permitiu que os fabricantes fizessem lentes de menor curvatura.

A objetiva Canon FD 55mm f/1.2 lens: radioativa
A objetiva Canon FD 55mm f/1.2 lens: radioativa

A Kodak em particular foi uma das que mais utilizou elementos de vidro de tório. Seu nome aparece na lista 11 vezes, e algumas das câmeras com estas lentes são muito populares. É o caso da Kodak Instamatic 814, que foi produzida entre 1968 e 1970. A lente desta câmera, uma Ektar 38mm f/2.8, é descrita com “nitidez excepcional e plana desde o centro até as bordas”, e tinha um “olho afiado para imagens”.

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De acordo com Camerapedia, a radiação típica desses elementos de vidro aproxima-se de 10 miliroentgen por hora (mR/hr) na superfície da lente, diminuindo para níveis quase indetectáveis em 3 metros de distância. Em comparação, uma radiografia de tórax expõe você a aproximadamente a mesma quantidade, e raios-x dentais podem expor você a até 40 mr/Hr em uma sessão.

Isso significa que, a menos que você esteja com uma área sensível (por exemplo, seu globo ocular) muito perto do elemento de tório em si, provavelmente não representa uma grande ameaça. E mesmo se você estivesse usando a lente por cerca de uma hora por dia, você provavelmente continuaria bem em longo prazo.

Câmera Pentax com uma lente radioativa Super Takumar 50mm f/1.4
Câmera Pentax com uma lente radioativa Super Takumar 50mm f/1.4

A verdadeira ameaça vem dos visores de tório nas câmeras, que são muito mais raros, mas estão muito próximos de uma área muito sensível. No entanto, uma vez que o tório experimenta decaimento radioativo, você não precisaria de muito para se proteger. Mesmo um par de lentes de contatos ou óculos seriam suficientes para bloquear a radiação que pode prejudicar você ou causar problemas no longo prazo.

Fontes: Camerapedia, PetaPixel

Sobre o autor

Ruca Souza

Ruca Souza

Ruca Souza é jornalista e fez parte do iPhoto Channel de 2015 à 2018.

3 comentários

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  • Ruca,

    Até que enfim um artigo sobre isso que fala corretamente sobre o uso de tório e não a baboseira do lantânio (que não é radioativo como se propaga por ai).

    O tório decai radioativamente pela emissão de partículas alfa de baixa energia. Algumas dezenas de centímetros de ar são mais do que o suficiente para bloquear esta emissão. Na verdade, uma folha de papel já é suficiente.

    É justamente por isso que o filme não é velado pela radiação. O espelho e a cortina são mais do que suficientes para bloquear. Se a pessoa for muito paranoica com isso, basta colocar um filtro UV que não passará nada através dele.

    Se o decaimento fosse em particulas beta a coisa seria mais complicada, e certamente não teriam usado =)

    • P.S.

      Só de curiosidade:

      Bananas e Castanhas do Pará são beeem mais radioativas e nunca fizeram mal a ninguém.
      Neste caso o elemento radioativo é o potassio-40 que decai principalmente por emissão beta.

  • Parafraseando……..Você tem uma lente fotográfica antiga? Ela pode ser EXCELENTE!!!

    aos que se preocupam com radiação de lentes, deveriam muito mais se atentarem para a radiação emitida pelo celular, uma vez que, o aparelho sempre está com o dono (a) quase que 24hr por dia.