Direção de modelos Entrevista

Como superar a timidez da cliente diante da câmera

iPhoto Editora

Se você gosta de fotografia de estúdio, já deve ter ouvido falar em Primo Tacca Neto. O catarinense é nome de destaque nas melhores revistas de moda brasileiras e lançou recentemente o DVD Book em Estúdio, pela iPhoto Editora. Sua relação com a fotografia e a moda não é recente: ele sempre manteve contato com a arte e transitou por áreas que lhe permitiram encontrar na fotografia sua forma de expressão.

Como comentamos anteriormente aqui, a direção em um ensaio faz toda a diferença no resultado da fotografia. Quando o fotógrafo tem diante de si uma modelo profissional, tudo se torna mais fácil. No entanto, há um grande número de trabalhos envolvendo a fotografia de pessoas que não são habituadas a posar para fotos. Conversamos com Primo sobre como funciona a direção de modelos para esse público específico. Acompanhe abaixo as dicas do especialista:

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Como você costuma fazer a direção de modelos nos seus ensaios? 

Inicialmente eu monitoro todos os trejeitos e expressões corporais da minha cliente. Desde quando chega ao estúdio, ela está sendo observada. Com isso, eu sei se ela está nervosa, ansiosa, com medo ou se tem algo que não a está deixando à vontade. Não deixo ninguém da minha equipe estar mais bonita que a minha cliente. Também fico de olho se tem alguém na equipe que está com uma pose retraída ou de insatisfação, de braços cruzados, por exemplo. Quando começamos a fotografar, a primeira produção é só para esquentar a modelo e fazer com que ela se solte. Passado o medo ou pavor das primeiras fotos, eu desenvolvo mais. Claro que, a pessoa pode chegar no estúdio e se soltar a ponto de você não precisar fazer nada. Isso acontece, mas é raro. A maioria tem muita timidez na frente de uma câmera, por isso eu acredito também na confiança e facilidade que o fotógrafo precisa ter para lidar com essas pessoas. Com isso não tenho problemas, consigo interagir em questão de minutos.

Você adapta a direção à personalidade da modelo?

Completamente! Quando falamos de um ensaio pessoal, a direção tem que seguir o perfil da pessoa, por isso expliquei anteriormente porque é importante fazer o mapeamento dos trejeitos dela. O gosto pessoal incide muito nesse quesito: lado preferido do corpo, parte que mais gosta do corpo e diferenciais. Mulher é comparação, então ela vai sempre procurar exaltar algo na beleza dela que é único para ela, ou seja, o fotógrafo tem que saber disso para entregar o que foi solicitado na direção. Não falo que pose ela tem que fazer, muito menos mostro fotos para copiar, acho isso ultrapassado e tira a responsabilidade do fotógrafo de criar. Por isso que quanto mais ligado você estiver na pessoa, melhor é.

“Não falo que pose a modelo tem que fazer, muito menos mostro fotos para copiar. Acho isso ultrapassado e tira a responsabilidade do fotógrafo de criar”

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Existe algum método geral que seja válido para todo tipo de pessoa?

Aí que é que está o problema. A meu ver não existe, porque cada pessoa é unica, cada pessoa tem seus próprios gostos e, para piorar, umas são mais tímidas. Eu acho que aí é que está o desafio, por isso incentivo as minhas clientes de ensaio a darem o  seu melhor, eu as instigo a todo o momento, as coloco para cima… Por mais que eu faça o mesmo com todas as pessoas fotografadas, o resultado é sempre diferente por conta do estilo e personalidade de cada uma.

Quais são os aspectos mais complicados e importantes de resolver?

O que eu acho mais complicado é juntar a expressão corporal com a estética fotográfica. Resumindo: uma foto que tenha composição, iluminação e expressão corporal sem parecer artificial, que faça o corpo da cliente falar naturalmente.

Com o que você se preocupa mais, a posição das mãos, pernas, olhar ou alguma outra característica?

Boa pergunta… Gosto muito das mãos porque são poderosas fontes de comunicação visual. Onde tem mãos, tem a atenção do espectador. Uso elas para evidenciar as partes do corpo que a minha cliente mais gosta. Por exemplo: se ela gosta das pernas, eu trabalho a direção para que as mãos valorizem as pernas, traçando o caminho do campo visual para o espectador. Se o sonho dela era colocar silicone, por exemplo, procuro valorizar de forma sutil essa nova forma do corpo dela.

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Sobre o autor

Suelen Figueiredo

Suelen Figueiredo

Jornalista do iPhotoChannel. Contato: jornalismo@iphotoeditora.com.br

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