ensaios sensuais

Fotógrafo brasileiro é acusado de abuso por mais de 80 mulheres

Livros de fotografia

“Antes do ensaio ele pediu fotos de calcinha e sutiã de frente e costas e eu ingênua mandei!”. Assim começa um dos relatos publicado em uma conta no Instagram criado para denunciar o fotógrafo Cesar Oliveira Acosta. Casos de assédio assombram cada vez mais o mundo da fotografia e na última semana mais de 80 histórias foram divulgadas.

As denúncias surgiram após um vídeo gravado pela estudante Anny Alves, 24 anos, onde relata o abuso que sofreu durante um ensaio realizado com Acosta no dia 9 de maio, em Florianópolis. Para incentivar outras mulheres a contar sua história com o mesmo fotógrafo Alves criou uma conta no Instagram. Em um dos vídeos a estudante relata que contratou o serviço de Acosta e estava nervosa no dia do ensaio pela situação, e que durante a sessão o fotógrafo chegou a encostar em seu corpo. “Ele me tocava de formas desnecessárias, tipo ah tem que colocar a barriga pra baixo, ai ele ia e encostava em mim, pedia licença, mas ele…” explica Alves, foi então que muitos relatos semelhantes (e piores) surgiram.

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RELATO N#79

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Conhecido na fotografia por ser o autor de diversos ensaios sensuais Acosta construiu uma carreira onde era visto como referência e muitas mulheres o contratavam. Mas aparentemente algo anormal acontecia durante e após os ensaios. “Em alguns momentos ele encostou em mim, uma foto eu lembro que ele colocou a mão na minha bunda pro braço dele aparecer na foto junto” conta um dos relatos. Os profissionais desta área sabem que uma situação como essa não é ética, mas para pessoas que nunca tiveram contato não há como distinguir se isso está certo ou errado.

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RELATO N#58

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Algumas histórias datam de 2015 e 2016, Acosta convidava mulheres pelas redes sociais para participar de seus ensaios e oferecia pagar pelo transporte até o local. “Ele me chamou no insta me convidando para fazer fotos se propondo para pagar as minhas passagens para ir até ele” consta em um dos relatos. Após os ensaios Acosta ainda procurava manter contato enviando mensagens, convidando para jantar, julgando os relacionamentos dessas mulheres e quando elas não correspondiam ele as diminuía e humilhava.

Outro ponto levantado pelas vítimas é que quando não concordavam em sair com Acosta ele ameaçava não entregar as imagens e por mais que elas tenham sido convidadas ele cobrava uma taxa. Algumas mulheres contam que pagaram até R$ 500,00 e poucas fotos foram enviadas.

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RELATO N#50

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Assustadoramente é possível encontrar trechos de mulheres que na época tinham apenas 15, 16 e até 13 anos de idade. “Eu tinha apenas 15/16 anos. Era de menor. Falei que minha mãe deixava e pediu pra fazer escondido.” Outras situações são realmente revoltantes onde o fotógrafo chegou a tocar no seio de uma menina após umedecer os dedos da própria saliva, ou tentava tocar nas partes íntimas. Entre os relatos há declarações de que Acosta era conhecido pelo fato de começar a fotografar apenas para “ver mulher pelada”, ou seja, sua conduta profissional foi refletida ao longo dos anos em seu trabalho.

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RELATO N#65

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Após a avalanche de denúncias Acosta realizou uma live em sua conta do Instagram de 09:33 minutos intitulada “Minhas desculpas” onde ele diz assim. “Queria começar esse vídeo pedindo desculpas para todos vocês que de alguma maneira eu machuquei com as minhas palavras ou atitudes. Nada do que eu fiz tem justificativa.” No relato Acosta não desmente o fato de ter pedido nudes antes dos ensaios e convidado as mulheres para sair.

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RELATO N#84

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O vídeo continua com “Fiz coisas que na época não considerava errado, porque recebi um ‘ta’ ou sorrisinho de canto e achava que estava tudo bem, mas não estava.” o fotógrafo explica que em sua concepção as atitudes que tomava não eram erradas, mas o que talvez ele não tenha percebido era a situação em que colocava aquelas mulheres, constrangendo e coagindo. Os ensaios eram muitas vezes realizados sem a presença de uma terceira pessoa no local, aparentemente Acosta tentava evitar esse tipo de situação desencorajando as mulheres a levar uma amiga, namoradx ou familiar, o que as deixava em uma situação submissa e as amedrontavam.

Ele diz ainda que uma amiga do ramo chegou a conversar. “O mínimo que eu posso fazer é pedir desculpas. Essas atitudes não representam hoje como eu sou, eu melhorei muito, comecei a perceber as cagadas que eu tinha feito” contudo o relato que foi o estopim da manifestação pública contra Acosta foi causado justamente por suas atitudes no ensaio do dia 9 de maio, recente o suficiente para analisar seu atual pedido de desculpas como alguém que está vendo sua carreira arruinada.

Até o momento desta publicação Cesar Acosta havia desativado sua conta no Instagram.

Sobre o autor

Eliza Doré

Eliza Doré

Jornalista do iPhoto Channel é formada pela Univali em Comunicação social com ênfase em jornalismo e pós-graduada em Gestão Cultural, estudou fotografia documental em Buenos Aires.

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