O mundo entrou em choque nesta semana com a divulgação de uma foto com um menino sÃrio de 3 anos morto em uma praia, vÃtima de afogamento. Não publicaremos a foto em questão por preservamos a imagem da criança neste momento – apenas uma foto mais aberta para ilustrar o caso. De qualquer forma, ficou bem claro, infelizmente, o poder que uma fotografia pode ter para sensibilizar as pessoas sobre a situação do paÃs. Divulgamos a seguir história por trás da foto, publicada originalmente pela BBC.

“Alan Kurdi, o menino refugiado sÃrio de três anos cujo afogamento causou consternação ao redor do mundo, tinha escapado das atrocidades do grupo autointitulado “Estado Islâmico” na SÃria. Alan e sua famÃlia eram de Kobane, a cidade que ganhou notoriedade por ter sido palco de violentas batalhas entre militantes extremistas muçulmanos e forças curdas no inÃcio do ano.
O pai do menino, Abdullah, fugira com mulher, Rehan, e outro filho, Galip, de 5 anos, para tentar chegar ao Canadá, onde vivem parentes da famÃlia. Isso mesmo depois autoridades do paÃs norte-americano terem negado um pedido de asilo. Da famÃlia, apenas o pai Abdullah sobreviveu à tentativa de travessia de barco entre a Turquia e a Grécia, em que, além dos familiares, morreram pelo menos outras nove pessoas.
Parentes dos Kurdi no Canadá disseram à mÃdia canadense que o pai telefonou para informar sobre a morte das crianças e da mulher. E que desejava voltar a Kobane para enterrar a famÃlia. Teema Kurdi, tia dos meninos que vive na cidade canadense de Vancouver, disse ao jornal National Post que vinha tentando conseguir uma travessia mais segura para os parentes. Contou que vinha financiando a estadia deles na Turquia, mas que Abdullah tinha decidido entrar como refugiado na Europa por conta da situação precária em que estariam vivendo.

Teema, que emigrou para o Canadá há mais de 20 anos, entrara com um pedido de asilo para os parentes. O parlamentar Fin Donnelly disse à BBC que entregou a solicitação diretamente ao ministro da Imigração, Chris Alexander, mas que o pedido fora negado. Já o Departamento Canadenses de Cidadania e Imigração diz não ter nenhum registro de solicitação por parte de Abdullah Kurdi e sua famÃlia.
‘Uma solicitação para Mohammad Kurdi (que acredita-se ser o irmão de Abdullah e Teema) e famÃlia foi recebida pelo departamento, mas devolvida por estar incompleta, sem cumprir com as exigências regulatórias de provas para o reconhecimento do status de refugiado’, informou o órgão à BBC.
Mais tarde, Teema afirmou, em entrevista coletiva, que, diferentemente da versão que havia circulado anteriormente, ela não havia submetido um pedido de asilo para Abdullah e sua famÃlia. De acordo com as leis do paÃs, refugiados podem ir para o Canadá caso tenham apoio financeiro de pelo menos cinco cidadãos do paÃs, mas apenas candidatos que tenham oficialmente recebido status de refugiados podem fazer o pedido.

E a obtenção de salvo-conduto é complicada para os sÃrios que passam pelos centros de triagem do Alto Comissariado da ONU para Refugiados na Turquia. Sem o status de refugiado, não se pode deixar o paÃs.
Alan e a famÃlia estavam em um pequeno bote que carregava 17 pessoas no momento em que virou, nas proximidades do balneário turco de Bodrum. Um outro bote, carregando 16 pessoas, também teria virado. Mas foram as imagens do corpo do menino nas areias da praia que chocaram o mundo e viralizaram na internet.
No inÃcio da semana, a Guarda Costeira turca disse que, apenas nos primeiros cinco meses de 2015, 42 mil pessoas foram resgatadas no Mar Egeu. Na semana passada, foram mais de 2 mil. Na mesma quarta-feira em que Alan morreu, 100 pessoas foram resgatadas, também tentando atravessar da Turquia para a ilha grega de Kosâ€
FONTE: BBC
