Carla Durante Colunistas Fotografia newborn Iluminação

Bê-á-bá da fotografia newborn: cor e WB

iPhoto Editora

Em fotografia newborn, uma linguagem muito usada é o high-key, que é a predominância de áreas claras. Mas é importante dizer que isso é diferente de fotografia superexposta! A exposição deve estar correta: nem muito clara, estourando os pontos luminosos ou brancos (superexposição), e nem muito escura, perdendo detalhes nas sombras (subexposição).

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A correta exposição se dá equilibrando os três pilares que controlam a entrada de luz que atinge o sensor (ou filme) de sua câmera: abertura, velocidade do obturador e ISO. Se isso soar como “grego” para você, procure urgente esse conhecimento em cursos de fotografia.

As câmeras DSLR têm um bom sistema de medição de luz embutido, sendo possível fazer a fotometria da luz que é refletida pelo seu assunto à medida que ela passa através da lente e ativa o fotômetro (a sigla TTL quer dizer Through The Lens). O fotômetro informa a câmera através de um gráfico que tem uma escala que divide os pontos em terços e uma foto estará bem exposta quando o indicador estiver no meio, isto é, no “zero”. Mas (e esse é o “mas” mais importante do mundo!) preste muita atenção: as câmeras estão equipadas com fotômetros regulados para “enxergar” o meio-tom, porque assim é a maioria das coisas e elementos do nosso universo. O padrão definido para calibrar essa medição é o cinza 18%. Então, o que você precisa entender é que ajustará seu fotômetro no zero quando estiver medindo assuntos que sejam meio-tom.

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O fotômetro engana-se quando é apontado para áreas muito claras (branco) ou áreas muito escuras (preto). Ele “pensa” que tudo é meio-tom e, então, se você zerar o fotômetro nessas condições, terá uma fotometria equivocada. Se medir apontando para uma área branca ou clara demais, o branco se tornará cinza e o resultado será uma foto escura (subexposta), e o contrário acontecerá se medir no preto: o preto se tornará cinza e a foto vai ficar clara, superexposta.

Essa é a base de conhecimento fundamental que você precisa ter para ser um fotógrafo. Então, insisto, se você desconhece esse assunto ou ainda tem dúvidas sobre o domínio desse conhecimento, vale a pena se matricular num curso básico de fotografia ou ler um bom livro!

!cid_E66F50CB-F5E0-4047-8B6A-B17DDC714B52A luz incide sobre os objetos e estes, conforme suas características, absorvem parte dela e refletem outra parte. Aquilo que eles refletem de fato é o que vemos. Quando olhamos para um objeto, o que estamos vendo é a luz que é refletida nele. Assim, sua cor depende, além de suas características intrínsecas, da cor da fonte luminosa.

Quando olhamos para uma fonte de luz visível, ela parece ser incolor ou branca. Mas, na verdade, ela é uma mistura de cores que o nosso sistema ocular (olho e cérebro) percebe e interpreta como branco (lembre-se das aulas de física óptica na escola ou da capa do disco do Pink Floyd: ao fazer um raio luminoso passar por um prisma, ele se dividirá em componentes individuais do espectro visível e você verá as cores do arco-íris!).

Embora os olhos percebam a luz em sua maioria como branca, poucas fontes de luz são na verdade neutras em sua coloração. As lâmpadas caseiras de tungstênio emanam luz amarelada, enquanto as lâmpadas frias de escritório emanam luz esverdeada, por exemplo. A luz do sol muda de cor conforme o horário porque sua posição em relação à Terra muda e ela atravessa uma camada maior ou menor de atmosfera conforme o ângulo de incidência de seus raios luminosos. Entre 10 e 14 horas, a luz parece branca e, antes ou depois disso, mais amarelada – qualquer um que já tenha visto o nascer ou o pôr do sol já observou isso. Esses tons variam conforme a latitude onde o observador se encontra e o horário do dia. Pouco antes do sol nascente e depois do sol poente, a luz passa a ser azulada. Esses momentos extremos são mágicos para a fotografia de natureza!

A cor da luz é medida em graus Kelvin e conhecida por temperatura de luz.

Todas as fontes de luz têm temperaturas diferentes e isso influencia na imagem que será capturada. Para que essa imagem possua uma apetência mais precisa ou seja mais agradável aos olhos, ou ainda transmita a sensação que desejamos provocar, é necessário realizar um ajuste de cores e isso se faz através do balanço de branco.

A câmera só consegue fazer o ajuste de balanço de branco de um tipo de fonte de luz. Então, é importante lembrar que, caso você esteja fotografando com luz natural vinda da janela, é aconselhável desligar as outras luzes do ambiente.

Estude como fazer esse ajuste na sua câmera. Há o modo A (automático) que é eficiente, mas, como tudo que é automático, pode não resultar naquilo que você deseja. Você pode fazer o ajuste usando os filtros pré-estabelecidos pelo fabricante de sua câmera – que são aqueles ícones fáceis de serem compreendidos (sol, nuvem, sombra, flash…), usar a escala Kelvin ou ajustar a câmera conforme seu gosto pessoal. Vale uma consulta no help ou manual da sua câmera para essa última opção.

O white balance, ou balanço de branco, é um dos primeiros ajustes que você deve fazer na sua câmera porque ele influencia na maneira como ela vai interpretar os raios luminosos e assim interferir na cor e no histograma que a foto capturada vai gerar.

Dito tudo isso – e relembrando que sempre é bom aprofundar ainda mais seu conhecimento buscando mais informações a respeito – encerro por aqui o artigo de hoje.

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Espero ter trazido uma luz no fim do túnel… E não se desespere: não se trata do trem vindo em sua direção, e sim, da busca de embasamento técnico que ajudará você a tomar decisões e controlar a luz que deseja para sua fotografia.

Ao contrário de passar receitas do tipo “use tal flash com tal potência em tal posição”, eu procurei passar conhecimento para que você tome suas decisões.

Mas, se você tiver qualquer dúvida e quiser saber algum detalhe mais técnico, fique à vontade para me perguntar. Se eu souber a resposta, não a guardarei para mim!

Eu uso a luz de janela como fonte de iluminação para fotografar bebês. Essa é uma decisão pessoal baseada nas qualidades e características desse tipo de iluminação, que eu acho linda!

Se você optar por usar flash, procure não utilizá-lo na sua potência máxima – ao contrário, deixe na potência mínima e aproxime a fonte de luz do bebê. Use sempre um difusor na frente da fonte de luz, como um softbox (também conhecido como hazy) ou uma sombrinha translúcida, ou então use um rebatedor como sombrinha.

Dê preferência a sombrinhas brancas. A prata deixa muito brilho na foto e a dourada deixa a luz amarelada (mas sempre lembrando: se essa for a sua linguagem, tudo bem usar!).

A luz contínua, com os mesmos acessórios (softbox ou rebatedor), do meu ponto de vista, é mais indicada do que o flash – além de deixar o ambiente quentinho (esquenta mesmo!), ela não estimula o piscar de olhos do bebê se ele estiver com o sono leve. O problema da fonte de luz contínua é que ela costuma ser mais cara!

Pesquise, treine e se aprimore! Boas fotos!

Carla

 

Sobre o autor

Carla Durante

CARLA DURANTE é fotógrafa de recém-nascidos, gestantes e famílias e uma das fundadoras da Associação Brasileira de Fotógrafos de Recém-Nascidos (ABFRN). Ela é formada em Comunicação Social / Publicidade e Propaganda pelo Instituto Metodista de Ensino Superior no ano 1987. Trabalhou desde então em áreas ligadas à criação e arte.

1 comentário

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  • Essa é a parte 2 do tópico iluminaçāo em fotografia newborn. Trata-se na verdade de conceitos básicos que valem para todo tipo de fotografia. Se vc nao leu a parte 1 é interessante que dê uma olhada no texto.
    Vá em menu e entāo ” colunistas ” encontre meu nome lá e veja os outros textos.
    Sei que para muitos esses sāo conceitos já conhecidos, mas sei tambem que para outros o que está escrito aqui poderá ajudar. Entao aos poucos vamos juntos aprofundando o conhecimento técnico e estético e assim elevando o nivel da nossa fotografia.
    Abs,
    Carla