Cinema

Coringa: a evolução do personagem pela fotografia

Livro de fotografia

Um dos filmes mais esperado do ano finalmente chegou aos cinemas e as expectativas foram superadas com sucesso excedente. O Coringa é, sem ressalvas, um longa perfeito do começo ao fim, um misto de tensão e delicadeza que nos faz analisar a sociedade em que vivemos e como reagimos perante as diferenças. Com certeza a melhor biografia fictícia existente.

A evolução do personagem Arthur Fleck é uma das coisas mais bonitas que podemos analisar no filme, e a fotografia faz parte desse processo. O Coringa conta com a direção de Todd Phillips, fotografia de Lawrence Sher e atuação incrível de Joaquin Phoenix, sempre sensacional.

Arthur Fleck é um comediante frustrado que sofre de uma rara condição o faz gargalhar de uma maneira incontrolável, isso acaba atraindo alguns problemas, e somado a outras condições psicológicas, aos poucos Fleck perde a sanidade e comete uma série de atos violentos. Esse é o homem por trás do Coringa, uma pessoa de verdade que acaba se revoltando com a sociedade. 

O trabalho como palhaço traz uma relação muito forte com a maquiagem utilizada. Quando Heath Ledger interpretou o Coringa em Batman Dark Night, a relação foi a mesma. Esse parece ser um processo de desenvolvimento pessoal do ator e personagem. Na imagem abaixo podemos analisar a existência de duas pessoas e o conflito interno de Arthur. Cenas como essa nos trazem a mensagem de que a dualidade pode trazer certos problemas em determinados momentos.

Uma das cenas mais tocantes acontece dentro de um banheiro, e após o primeiro ato de violência cometido por Arthur. A iluminação incrível e uma fotografia impecável captam o momento delirante em que Fleck começa a dançar, e a sequência das cenas são realmente fortes, é a união perfeita entre fotografia, iluminação, sonorização e a interpretação de Phoenix. Pode levar um lencinho, com certeza você irá chorar.

É importante analisarmos como a fotografia tem foco em alguns detalhes como nos sapatos e nos passos que são dados para o começo da dança, o movimento lento mostra como esse personagem ainda está inseguro e assustado com os próprios atos, mas de certa maneira sente-se aliviado.

A partir do momento em que Arthur Fleck começa a se identificar como Coringa as coisas mudam. As cenas começam dentro do seu apartamento e então é possível notarmos uma grande homenagem aos Coringas assassinos, mas em principal ao personagem criado por Heath Ledger em Dark Night, o modo sarcástico surge e a linguagem corporal muda, a câmera capta uma certa expressão fortemente presente no Coringa de Ledger, a olhada de baixo para cima, é nesse momento em que Fleck pinta o cabelo de verde, uma das principais características do Coringa.

A partir de então o personagem está mais forte, seus passos são firmes e não pensa mais duas vezes antes de agir. As cenas finais são essenciais e uma série de referências surgem, como as ambulâncias, a fotografia de dentro da viatura e o jeito louco no set de filmagem no programa de televisão. O Coringa é um personagem que fala de um homem de verdade, que não aguenta mais uma sociedade insana e capitalista, com certeza uma obra prima e merecedora de atenção e prêmios.

Sobre o autor

Eliza Doré

Eliza Doré

Jornalista do iPhoto Channel é formada pela Univali em Comunicação social com ênfase em jornalismo e pós-graduada em Gestão Cultural, estudou fotografia documental em Buenos Aires.

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