Faz tempo que fotografar casamentos não se resume a tirar fotos da cerimônia ou da recepção. Por conta da concorrência – e da exigência dos clientes – os profissionais da chamada fotografia social vivem em constante luta por acrescentar algumas imagens a mais no álbum dos noivos – ou na decoração da festa. Imagens mais elaboradas, artÃsticas, produções em locais significativos ou interessantes, situações inusitadas ou engraçadas, uma boa dose de poeira ou água sobre o vestido, tudo vale para agradar aos clientes e fazer com que gastem um pouco mais do orçamento com as fotos.
O foco principal está nos dias que antecedem à cerimônia. Mas também são comuns trabalhos que extrapolam o grande dia. “Trash the dressâ€, “pré-weddingâ€, “e-sessionâ€, “save the dateâ€, “making-ofâ€, “street wedding†são alguns dos nomes usados para se descrever o que, em geral, são ensaios fotográficos do casal. O uso desta ou daquela variação dependerá do momento, da região ou da preferência do cliente.
Para citar um exemplo, o Trash the dress, ensaio no qual quase sempre os noivos apareciam rolando na areia da praia – com vestido e tudo – já viveu seus dias de glória. “Em São Paulo não tem tanta saÃda como no sul do paÃs. Aqui os casais preferem fazer a e-sessionâ€, afirma o publicitário e fotógrafo social paulistano Marcel Martins, que oferece o e-session desde o ano passado. O nome, ele diz, é uma abreviação de “engagement session†(sessão do noivado).
“A ideia é fazer fotos artÃsticas em locais externos pré-determinados pelo casal e, claro, fugir das fotos convencionais. Muitos casais estão aderindo a essa nova ideiaâ€, garante o fotógrafo que, quando conversou com o Photo Channel, já tinha agendado quatro ensaios desse tipo para agosto. Entre as locações preferidas, está o Museu do Ipiranga; muros grafitados também são bastante apreciados, bem como poses descontraÃdas.

Descendo mais ao sul, a e-session dá lugar ao pré-wedding, nomenclatura que Julio Trindade, fotógrafo baseado em Florianópolis (SC), prefere adotar. Mas é basicamente a mesma coisa. Trata-se de um item obrigatório no contrato de serviço, ele acredita, visto que desse ensaio saem as imagens usadas na decoração do casamento.
“Já o ensaio pós-wedding é um item opcional, com um perfil de cliente mais exclusivoâ€, pondera, numa relação que costuma ser 80% em favor do pré contra 20% do pós.  “Claro que também irá depender do valor que o profissional cobrar, pois há vários nÃveis de mercado. Quem cobra mais em conta produz bem mais, eu acreditoâ€.
Apesar disso, Julio aposta nos ensaios posteriores ao casamento, por possibilitarem mais tempo para criar. Inclusive no Trash the dress. Aconteceu até de o fotógrafo produzir um “trash†antes da cerimônia. “Trash à s avessasâ€, conforme apelidou. Mas havia um truque: a moça usou o vestido de noiva da sua mãe.

Ricardo Cintra, outro paulistano que também atua no segmento, aprova a elaboração de ensaios antes do casamento, mas com ressalvas: “Além de ser uma oportunidade de se aproximar do casal para que, no dia do casamento, eles estejam mais à vontade com o fotógrafo, é uma forma de terem fotos do dia a dia com uma ótica diferente e guardar isso para sempreâ€, descreve os prós. “Claro que esse ensaio também tem que ser de muito bom gosto, sem acrescentar muitas coisas da moda. O que tem que ditar a moda e a época das fotos é a roupa, e não elementos acrescentados pelo fotógrafoâ€, avisa, para em seguida detonar: “Vejo alguns novos aventureiros fotografando até dentro de supermercado. Qual é a graça ou emoção de retratar o casal dentro de um supermercado vestido de noivos fazendo compras?â€, ironiza.
Ricardo prefere se ater ao básico: making-of, registro da cerimônia e recepção. “O principal é fazer um belo registro, com uma iluminação elaborada, fora do tradicional, do que qualquer convidado com uma boa câmera possa fazer. Contar uma história do dia com elementos e pessoas que realmente fazem parte do casal e finalizar tudo em um belo álbum (livro) editado (edição clean) com essas imagens, contando uma história com começo, meio e fimâ€.

Ele, no entanto, aderiu ao “street weddingâ€, ideia patenteada pelo fotógrafo-celebridade catarinense Everton Rosa. O diferencial dessa variação é que não precisa de um casamento marcado para ser feita. Até mesmo quem já casou ou nem pensa nisso pode contratar um “streetâ€. De resto, o conceito é similar ao dos demais.
Não importa o nome que se dê ou a temática que se adote, tudo desemboca no mesmo: fotos impressas, slideshows, vÃdeos e no álbum do casamento – este último “é e sempre será o carro-chefeâ€, para Ricardo Cintra. Julio Trindade, por seu turno, ancora seu pacote ao álbum impresso como forma de garantir a qualidade do serviço. Para este, a qualidade dessas saÃdas serve para avaliar a excelência do profissional, mesmo que nem sempre o cliente esteja apto a ver a diferença. O que importa é que, num mercado tão concorrido, cabe ao fotógrafo oferecer o melhor, seja na cobertura tradicional do casamento, seja inovando em ensaios antes ou depois da cerimônia.

