Artista aborda a apatia em ensaio
Estado que a psicologia define como sendo de completa indiferença, a apatia é tema de um recente trabalho da fotógrafa portuguesa Daniela Alves (conheça mais sobre o seu trabalho aqui). Ela criou uma narrativa documental em vÃdeo sobre essa peculiar condição emocional usando fotografias. A inspiração, segundo conta, veio da música de uma banda de Braga (Mão Morta), chamada “Primavera de destroçosâ€.
“Pensei em realizar um projeto baseado na letra, mas ao longo do processo criativo fixei-me numa referência em particular: ‘Caio nesses olhos apáticos’. Após alguma reflexão, decidi criar um trabalho que representasse o estado de apatiaâ€, explica a autora, que realiza “frilas†nas áreas de moda, produto, documentário e pós-produção.
Daniela diz ter feito uma intensa pesquisa para dominar o tema do projeto. A personagem, entretanto, não é alguém acometido pelo distúrbio, mas foi escolhida com base em sua estampa – “bela e ao mesmo tempo estranhaâ€, conforme Daniela define.
Ela, porém, deu sorte. A casa da moça, cenário do ensaio, continha elementos que se encaixavam perfeitamente na dramatização que a fotógrafa propunha: “Havia fotografias nas paredes e na porta do frigorÃfico, no quarto uma desarrumação Ãntima e inerente ao espaço; a cozinha estava desarrumada e com restos de comida pelas várias peças de louça; havia uma taça com frutas a apodrecer e uma outra residente da casa colecionava guimbas de cigarro numa caneca de leiteâ€.
Embora ela tenha encenado todo o ensaio, Daniela defende o caráter documental do projeto: “As situações de desarrumação não foram manipuladas por mim fisicamente. Na realidade, o espaço é habitado por algumas pessoas e facilmente se gera um ambiente caótico e descuidado. Apesar de ser um trabalho dirigido, Apatia representa uma realidade que pode ser vivida por qualquer um de nós. Considero o meu trabalho uma representação dessa realidade, com o qual identifico uma fase da minha vida, e com certeza algumas pessoas irão sentir o mesmoâ€.
Assista ao vÃdeo aqui.

