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Livro traz os segredos da cor e correção digital para videomakers e fotógrafos

"'Bater um branco', ou filmar uma 'carta de cinza' ou uma 'carta de cor', já é meio caminho andado para fazer a correção primária"
"'Bater um branco', ou filmar uma 'carta de cinza' ou uma 'carta de cor', já é meio caminho andado para fazer a correção primária"
Livro - Sem Medo do Flash

Quando você assiste a um filme ou série de tevê nem sempre se dá conta, mas o que se vê na tela é algo completamente diferente daquilo que foi gravado durante o período de filmagens. Não estamos falando de efeitos especiais ou inserções de computação gráfica, tão comuns nas produções hollywoodianas, mas da cor e dos contrastes das cenas. Há quase um abismo de distância entre as imagens captadas e o clima psicológico ou vibrante proporcionado pelas cores que chegam ao telespectador. Mas, se é assim, como isso ocorre? Pergunte ao colorista.

"O branco aparece quando as três lâmpadas 'RGB' estão acesas. Muito acesas. Acesas a 100%. Parece mentira, mas é isso!", conta Edgar Moura usando a metáfora do pixel como um conjunto de 3 lâmpadas: uma vermelha (R), uma verde (G) e uma azul (B).
“O branco aparece quando as três lâmpadas ‘RGB’ estão acesas. Muito acesas. Acesas a 100%. Parece mentira, mas é isso!”, conta Edgar Moura usando a metáfora do pixel como um conjunto de 3 lâmpadas: uma vermelha (R), uma verde (G) e uma azul (B).

Ou então, pergunte ao Edgar. Fotógrafo do lendário semanário O Pasquim, com passagem pelo também célebre jornal Última Hora, o diretor de fotografia carioca Edgar Moura conta o que há para se saber sobre o tema no livro da Cor (319 págs., R$ 99,00), da iPhoto Editora (leia uma amostra clicando aqui).

O livro é resultado da longa relação de Edgar com os profissionais responsáveis pelo “color grading” (que é como os gringos chamam a correção de cor digital) de suas produções, assim como de exaustivas pesquisas e elucubrações a respeito da natureza das cores, um tema árido que o autor aborda com a leveza de quem conversa sobre o time do coração.

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Softwares como o Da Vinci Resolve são abordados no livro, entre outros.

Dividido em três partes, da Cor começa justamente falando sobre os fenômenos químicos e físicos que permitem que enxergemos as cores, traduzindo para “linguagem de gente” a lista de causas que o pesquisador austríaco Kurt Nassau relacionou para a Encyclopædia Britannica.

A seguir, Edgar entra no assunto principal: a arte do colorista, que é o profissional responsável por realizar a correção de cor digital de produções cinematográficas e televisivas, capturando em todo o seu esplendor as cores que o fotógrafo apenas intuiu no set. Ou seja, é a pós-produção da fotografia de cinema. O autor apresenta os procedimentos e as ferramentas que tornam isso possível, e como essas técnicas foram aplicadas em alguns de seus trabalhos, como a série da tevê portuguesa Equador e a minissérie bíblica Rei Davi (TV Record).

"É a dispersão que causa a separação da luz branca em suas componentes coloridas que vemos no prisma de Newton, na capa do Dark Side of the Moon do Pink Floyd e no arco-íris caseiro de Descartes", explica Edgar Moura
“É a dispersão que causa a separação da luz branca em suas componentes coloridas que vemos no prisma de Newton, na capa do Dark Side of the Moon do Pink Floyd e no arco-íris caseiro de Descartes”, explica Edgar Moura

Edgar também explica o papel do fotógrafo nesse processo, destacando que o diretor de fotografia e o colorista trabalham em conjunto, cada qual com  a sua atribuição.

“O colorista não pode fazer nada quanto à direção das fontes de luz”, exemplifica. “Agora… na dosagem dessas fontes, ataque, compen­sação e contraluz, aí o controle é total do colorista. O ‘contraste’, então, está completamente nas mãos dele. Basta o fotógrafo ter feito algum contraste na hora de iluminar, ou seja, ter dado alguma diferen­ça entre luz e sombra, que o colorista poderá fazer o que quiser ou, é claro, o que for pedido”, acrescenta.

Cada cor escolhida para cada fotograma dá uma intenção emocional diferente à cena.
Cada cor escolhida para cada fotograma dá uma intenção emocional diferente à cena.

A terceira parte é um diário, no qual o autor relata o caminho que percorreu para chegar às conclusões que apresenta no livro, num movimento circular (ou “Tarantiniano”) que leva o leitor de volta ao princípio, que é justamente a tríade luz-olhos-cor, sem a qual não há fotografia – ou qualquer coisa para se ver, por sinal.

E ainda sobra tempo para falar de composição fotográfica, usos alternativos do filtro polarizador, física quântica, meditação transcendental e mais uma série de assuntos mais ou menos relacionados. Parece confuso? Que nada. Com sua escrita requintada e bem-humorada, Edgar Moura nos conduz nesta viagem com a segurança de um tarimbado contador de histórias. É informação (e literatura) da melhor qualidade.

Leia uma amostra do livro no site da iPhoto Editora.

Semana da Fotografia 2017
Alcides Mafra

Alcides Mafra

Jornalista e colaborador do iPhoto Channel (alcidesmafra@iphotochannel.com.br)

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