Colunistas Fine Art

Conhecendo a fotografia Fine Art brasileira: a interprete Amanda Gatti

Foto: Pedro Antônio Henrich
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O FineArt é um dos estilos que eu mais gosto dentro da fotografia e assim como a fotografia de rua, é um estilo muito livre, que te permite criar da forma que você quiser. ilimitadamente. Porém, fazer Fine Art é algo que exige além do habitual da técnica fotográfica, vai muito mais além do que o simples snapshot.

Foto: Pedro Antônio Henrich
Foto: Pedro Antônio Henrich

Entrevistei 2 excelentes fotógrafos e 1 intérprete incrível. Sim, no Fine Art a modelo é a intérprete, pois ela não vai posar como em outros estilos fotográficos. A intérprete tem que ter uma conexão com o fotógrafo para poder transmitir na íntegra os sentimentos que o fotógrafo quer em suas fotos. Por experiência própria, as melhores intérpretes que eu já tive foram atrizes e bailarinas.

Abaixo a intérprete Amanda Gatti me conta como é ser intérprete e dá dicas:

“Pra mim, na fotografia, ser intérprete é ser livre! Livre de padrões, de receitas e de um mercado que te obriga um físico e
certo estilo de vida. Modelos profissionais ou até mesmo pessoas que sempre foram acostumadas com o padrão de beleza já possuem uma ‘cara pronta’.

Foto: Pedro Antônio Henrich
Foto: Pedro Antônio Henrich

Digamos que você coloque uma câmera na frente desses modelos, eles com certeza apresentarão poses prontas, ângulos corporais, barriga pra dentro, peito pra fora e outras regras que os foram ensinadas. De fato, há um mercado para eles e por isso é preciso esse padrão. Já uma intérprete está livre de um mercado, porque seu trabalho é artístico e essa fotografia não é valorizada.

O intérprete raramente vai ganhar dinheiro e não creio que se sustentará. Friso que muitos intérpretes não são atores/atrizes, mas quando são, aí sim a qualidade e sensibilidade da fotografia só tem a crescer. Primeiro, porque um ator consegue improvisar, já passou por toda uma formação em teatro e é mais desprendido de vaidade física, timidez e pudores.

Foto: Pedro Antônio Henrich
Foto: Pedro Antônio Henrich

Vale frisar que não é porque se é ator que se fará qualquer coisa, todas as pessoas tem seus limites particulares e é preciso haver respeito por parte do fotógrafo. Quando se é ator, a entrega e verdade deve ser plena. Você coloca tudo de si no trabalho – não precisa necessariamente haver uma personagem – e entra na atmosfera da proposta. Na fotografia, quando há saídas em locações, muitas vezes será o intérprete o grande criador da fotografia. Claro, a fotografia é feita a partir do olhar do fotógrafo e mecanismos de uma câmera, mas se não houver uma proposta estabelecida boa parte da criação passa a ser de quem está na frente das câmeras.

Me sinto um pouco intimidada em falar sobre modelos, porque de fato nunca estive em mercado da moda – e confesso que queria, já mandei portfolio para agências, mas nem ao menos recebi um ‘não’. Essa falta de resposta já me causou frenesi e já me passou pela cabeça fazer dietas e academia – algo frequente exposto em redes sociais de modelos. Mesmo assim não tenho altura, é preciso ser muito alto e muito magro.

Foto: Pedro Antônio Henrich
Foto: Pedro Antônio Henrich

Além de intérpretes-atores, fico encantadíssima com intérpretes bailarinos. É de extrema intensidade o que conseguem explorar do físico nas fotos. Agora: o que espero de um fotógrafo? Ele estará encarregado de proteger, respeitar e não desmerecer o trabalho dos intérpretes. Por que falo isso? Porque já passei por vários fotógrafos e cada um tem um
jeito distinto de trabalhar. Alguns não saberão o que querem do intérprete, então se o intérprete está confuso, é como se ele estivesse errado e não fosse bom.

Outros vão querer fazer fotografias com nu artístico e que possa haver algum risco – subir em árvores, pilares, arquiteturas antigas, etc – e não irão te ajudar. É de extrema importância que o fotógrafo se ponha no lugar do intérprete e pense ‘será que eu faria isso?’, também perguntando se há possibilidade de uma criação mais arriscada. Jamais um fotógrafo deve apontar algo negativo nos intérpretes e é positivo que haja um acordo na postagens de fotos. Também há um jeito de se comunicar com um intérprete, alguns fotógrafos acabam não sabendo gesticular e os tratam como objetos, infelizmente”

Foto: Pedro Antônio Henrich
Foto: Pedro Antônio Henrich

E também dicas para quem quer ser intérprete de fotografia artística:

– Passe por experiências em teatro e dança;
– Pegue uma câmera e explore as extensões de seu corpo! Você descobrirá que ele é uma geografia incrível cheia de possibilidades;
– Explore sons, movimentos, personagens e lugares;
– Saia da banalização e não se preocupe com a beleza enquanto estiver sendo fotografada, até porque, “o que é a beleza?”;
– Dialogue sempre com o fotógrafo;

Na parte 2, uma entrevista com um dos melhores fotógrafos de Fine Art do Brasil, Alan Uchoa.

Foto: Pedro Antônio Henrich
Foto: Pedro Antônio Henrich
Foto: Pedro Antônio Henrich
Foto: Pedro Antônio Henrich
Foto: Pedro Antônio Henrich
Foto: Pedro Antônio Henrich
Foto: Pedro Antônio Henrich
Foto: Pedro Antônio Henrich
Foto: Pedro Antônio Henrich
Foto: Pedro Antônio Henrich

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Pedro Antônio Heinrich

Pedro Antônio Heinrich

Pedro Antônio Heinrich é colunista do iPhoto Channel. Fotógrafo natural de Manaus/AM, fixou residência em Porto Alegre/RS e já participou de mais de 25 exposições na cidade, além de projeções na Lomography Gallery de Nova Iorque/EUA e diversos prêmios. Heinrich foi professor de Fotografia de Rua (Street Photo) na Escola Câmera Viajante, Repórter Fotográfico da coluna social do Jornal O Sul e contribui mensalmente com Agência Freelancer de Fotojornalismo e Jornal Já.

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