Casamento

Para valer a pena, a foto precisa fazer sentido

Fotografia de gestantes em estúdio

Quando iniciamos, quase sempre somos acometidos pelo brilho de grandes objetivas, malas cheias de equipamentos e o “glamour” que geralmente a novela das nove sugere ao profissional de fotografia. São inúmeras as influências que ditam o “modus operandi” de nossa trajetória.

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Estou há pouco mais de seis anos na profissão de casamento – antes disso, atuava como assistente de outros fotógrafos, aprendendo, apanhando, aperfeiçoando técnicas, estudando e aprimorando. Digo no início que somos contagiados pelo brilho da profissão, pois, quando olho hoje o trabalho que realizei lá no início de minha carreira, muitas vezes sinto vergonha. Sinto um embaraço pela forma como executei cada trabalho. Não sinto um mal-estar por não ter tido responsabilidade e cuidado com aqueles que me contrataram. Sempre tive extrema responsabilidade com cada casal. Sinto, sim, uma aflição por não entender lá atrás o motivo por que eu fotografava.

Eu fotografava e ainda fotografo por paixão pela profissão. Também é minha fonte principal de renda. Mas acho que fotografei muitas vezes para receber aplausos e “likes”. Fotografei muitas vezes pelo simples fato de achar que meu enquadramento em determinado registro estava perfeito ou porque aquela luz que eu tinha conseguido elaborar ou captar estava impressionante e iria impressionar uma legião de pessoas, na maioria das vezes desconhecidas ou inimagináveis. Talvez uma legião de fotógrafos.

Sinto-me mal em dizer isso, mas é a verdade. Eu esqueci muitas vezes de fotografar com o coração. Nesses devaneios de querer mostrar imagens tecnicamente impecáveis, eu me desviava do propósito maior, que hoje eu entendo ser a entrega de uma imagem com contexto, com sentido para o casal.

Hoje consigo alinhar o amor que tenho pela minha profissão com a história que preciso contar de uma família através de imagens. Hoje entendo que a melhor imagem talvez seja a mais simples, mas ao mesmo tempo complexa ou recheada de sentido para a família que me contrata. Cheia de sentidos, completa de amor.

A partir do momento em que procurei conhecer mais as pessoas, consequentemente minhas imagens tomaram forma e conteúdo. Hoje, antes de qualquer trabalho, procuro pesquisar e entender quem são os personagens, qual o estilo de vida do casal, grau de parentesco das pessoas, entes queridos, quem participa ativamente do convívio do casal. Procurei entender o perfil do fotografado, o que ele pensa, consome e suas preferências.

Eu me coloco do outro lado e procuro entender o que eles esperam de mim e como posso entregar-lhes o melhor. Faço um alinhamento de detalhes e junção de pontos, até porque eu não acredito que o cliente compre somente o nosso portfolio. Ele compra um estilo e conceito de trabalho e, se chegou até aqui, é porque temos algo em comum.

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A imagem acima é carregada de emoção, mas também de sentidos. Fiz um briefing com os noivos dias antes do casamento. Dentre as diversas informações e detalhes, foi dito que a avó da noiva estaria sentada na primeira fileira de convidados da igreja, juntamente com a mãe desta, tios e pessoas queridas. São pessoas importantes e ali havia uma história, que era a união de várias gerações na mesma imagem. O momento tem sentido, tem contexto. Eu conto uma história com o momento. Eu sugiro com a imagem inúmeras lembranças, recordações.

O cortejo da noiva acontece, aqui estou preparado, fotografando a situação, mas atento a todo o momento à lateral direita da igreja, onde a avó observa a entrada de sua neta. Em questão de segundos, observo a emoção da avó e também da mãe da noiva… bingo! Congelei para todo o sempre um momento valioso. Cuidei para que a história daquela família tivesse informação, sentido, contexto.

O tempo nos fornece o benefício de entender quais imagens não têm mais sentido, o que não devemos fazer e o que é realmente importante. Cabe a nós, profissionais da fotografia, transformar esse “glamour” que a profissão às vezes nos apresenta em brilho nos olhos e amor no coração, entregando contexto, sentido e conteúdo para quem nos contrata.

Hoje, entendo que uma imagem deve ser carregada de sentimentos e isso é o mais importante. Sem conteúdo se torna um arquivo morto, sem história, e é nossa obrigação cuidar do legado visual de quem está na frente de nossas lentes.

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Livro - Fotografia de Bebês

Túlio Isaac

Fotógrafo de casamentos natural de Betim (MG), Túlio Isaac fotografa há sete anos. "Estou sempre em busca do momento, de pedaços de acontecimentos que irão contar uma história. Busco sempre uma interpretação artística e personalizada sobre as interações que ocorrem em um casamento. Acredito que cada foto conta uma história e fixa o instante fugaz, aquele que não volta mais", afirma.

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