Dicas de Fotografia Fotografia de bebês

Como driblar a ansiedade dos pais em ensaios de bebês?

Foto: Simone Silvério
Como montar a pose perfeita

Apresentamos mais um conteúdo da série de Dicas de Fotografia; são os truques e tutoriais retirados direto dos livros da iPhoto Editora. Hoje trazemos os ensinamentos de Simone Silvério, retirado do livro “Fotografia de Bebes”. Confira:

“Tenho por norma não fazer ensaios newborn na casa do cliente. Uma das razões é reduzir a chance de lidar com casais que demonstram zelo excessivo, um temor extremo co a segurança do filho que atrapalharia o andamento da sessão. Especifico essa condição no contrato: fotografo recém-nascidos apenas no meu estúdio. Isso acaba “filtrando” os casais mais aflitos. Apenas os clientes mais tranquilos, que não sentem receio de tirar um bebê de poucos dias de casa, acabam batendo à minha porta.

A regra é inegociável (já abri duas ou três exceções, o suficiente para saber que não farei isso de novo). Uma ocasião, uma cliente fez comigo um ensaio gestante e incluiu no pacote as fotos do bebê assim que nascesse. Acontece que o pediatra do casal pediu-lhes que não tirassem a criança de casa antes dos primeiros três meses, alegando que ela precisava primeiro tomar as devidas vacinas. A moça ligou-me e explicou o caso, perguntou se eu não podia reconsiderar. Disse-lhe que não, e sugeri que fizéssemos a sessão após os três meses, embora isso já não se configurasse num ensaio newborn. Acabou que fizemos as fotos dele aos seis meses.

Os médicos não têm consenso em relação a essa questão. Alguns acham que o bebê pode sair de casa antes dos três meses, outros afirmam categoricamente que não. Porém, em momento algum eu vou me insubordinar ao que determina o médico da família. Primeiro, porque não sou médica. E, segundo, acredito que, se os pais escolheram determinado pediatra, é porque confiam nele. Portanto, preciso respeitar essa decisão. Em momento algum vou encorajá-los a fazer algo que contrarie a opinião do médico da criança. Principalmente, insistir que venham ao estúdio quando a recomendação médica diz o contrário.

 

Foto: Simone Silvério

Isso também tem a ver com a experiência que se espera que o ensaio seja. Imagine que a mãe venha ao estúdio cheia de receios, preocupada com a possibilidade de estar cometendo uma imprudência, estressada. Ela ficará aflita ao menor sinal de desconforto do bebê; se ele chorar, então, será um desastre. O recém-nascido, por sua vez, certamente será contagiado pelo estado de espírito da mãe, pois tem (desculpem a obviedade) uma relação umbilical com sua genitora. Provavelmente irá chorar. Portanto, uma sessão assim não tem como dar certo. Acredito que eu consiga, apesar disso, realizar um bom registro. Devido ao meu conhecimento, confio estar apta a fazer boas imagens mesmo em circunstâncias adversas. Porém, qual sentimento ficará associado a elas no futuro? Fico imaginando a cena: uma amiga vê o álbum na estante, folheia e elogia as fotos. A mãe concorda, porém acrescenta: “Aquele dia foi um horror. Não quero nem lembrar”.

Ou seja, o sentimento associado àquela sessão foi contaminado por uma experiência ruim. Portanto, a fotografia não cumpriu o seu papel. O objetivo principal, que é tocar as pessoas, inspirar, prover algo positivo, não foi alcançado. É por esse motivo que quem vai ao estúdio deve fazê-lo com a disposição tranquila de quando faz uma visita de fim de semana à casa dos avós. Para isso, é necessário, desde o início, dar aos clientes a confiança de que você está no comando e sabe o que está fazendo, possui prática com bebês e tem credenciais para dirigir tudo o que será feito a partir dali. A bem da verdade, muitas mães, especialmente quando de primeira viagem, sabem muito pouco sobre o seu bebê. Ainda estão embasbacadas com tudo o que está acontecendo em suas vidas. Eu mesma, quando tive o meu primeiro filho, fiquei abismada com o modo como as enfermeiras o manuseavam. Tinha certeza de que, se fizesse igual, iria quebrá-lo. Por isso, entendo como as mães se sentem, e o quanto é importante tirar delas, no momento do ensaio, essa responsabilidade, afirmando categoricamente: “Eu cuidarei do bebê. Não se preocupe, sei muito bem o que fazer”.

Normalmente, assim que mãe e bebê chegam ao estúdio, logo depois de uma conversa, pergunto se posso segurar a criança. Faço uma espécie de pegadinha, pois, uma vez que eu tenha o bebê no colo, não devolvo mais. “Ele é meu!”, costumo brincar. Mas é verdade: durante o período do ensaio, vou mantê-lo sempre comigo. Só entrego de volta para a mãe em duas situações: para a mamada ou se a criança ficar irritada de uma maneira que eu não consiga contornar. Ou seja, quando ela está a ponto de fazer um escândalo. Aí, sim, eu deixo a mãe assumir o controle para que o contato materno ajude a acalmá-la. Mas, na quase totalidade das vezes, fica tudo comigo: eu cuido, troco a fralda, acalento, faço dormir. E evito que a mãe fique muito próxima. Sugiro gentilmente que ela assista ao ensaio sentada numa poltrona afastada que eu reservo para esse fim. A razão é simples: o bebê sente o cheiro do leite da mãe. Se ela estiver muito perto, ele irá reclamar o colo dela. Assim, a mãe assiste a tudo o que ocorre, acompanha cada passo da sessão, mas a uma distância “segura”.

 

Foto: Simone Silvério

Até aqui, falei apenas da mamãe. É normal. Ainda não fiz um ensaio de bebê em que a mãe não estivesse presente. Nas sessões newborn, quando a criança soma poucos dias de vida, geralmente o pai também aparece, pois sua companheira muitas vezes está se recuperando da cirurgia, não pode dirigir e ele ainda não retomou o trabalho. No geral, entretanto, ele mantém-se um pouco alheio à sessão fotográfica. Porém, não pode ficar de fora do álbum. Por isso, costumo insistir para que ele participe e, normalmente, assim que se dá conta do que está vivendo, o pai se “apropria” do bebê, que até há pouco era praticamente só da mãe. Quando isso acontece, é um momento muito emocionante, e tenho fotos de vários pais com lágrimas rolando dos olhos. Desse modo, nas ocasiões em que ele já voltou à rotina, costumo combinar para que dê um pulo no estúdio, aí eu faço as imagens dele, com a criança e também com a esposa, e o dispenso para cuidar dos afazeres e sigo com a sessão.

É importante destacar que a comunicação com os clientes se faz principalmente por meio eletrônico e com telefonemas. Apesar de ser o ideal, não é comum que eles venham até o estúdio para conhecer previamente o espaço. Apenas as mães que fizeram o ensaio gestante sabem exatamente como é o local. Uma maneira de oferecer um pouco mais de familiaridade — e com isso reduzir a ansiedade; afinal, o desconhecido sempre gera um estado de atenção, senão de tensão — é publicar em seu site um vídeo curtinho de making-of. Assim, o casal terá uma ideia melhor da maneira como você trabalha e também da organização e características do seu estúdio. Eles terão uma amostra dos cuidados que você dispensa ao bebê, sua preocupação com a higiene, verão o andamento da sessão e o consequente resultado em imagens, entre outras informações que os ajudará na tomada de decisão. Um clipe de uns dois, três minutos é o que basta. Você também pode optar por enviá-lo por e-mail, junto com o orçamento, ou publicar no Youtube e enviar o link na mensagem.

Publicar no site fotos de making-of e outras mostrando o estúdio também é uma boa estratégia. Use o mesmo expediente de enviar essas imagens junto com o orçamento. Quanto mais os pais souberem sobre você e o seu estúdio com antecedência, mais tranquilos eles ficarão, maiores serão as chances de fecharem com você e de a sessão ser um sucesso.”

Este texto foi retirado do livro “Fotografia de Bebês”, de Simone Silvério. Você o encontra à venda na nossa loja.


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Livro - Fotografia de Bebês
Ruca Souza

Ruca Souza

Ruca Souza é editora do iPhoto Channel. Jornalista, também é fotógrafa de coisas e pessoas (nessa ordem) e tem uma banda de rock.

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