Colunistas Dicas de Fotografia

Como cuidar melhor da bateria de sua câmera fotográfica?

Foto: José Américo Mendes
Black Friday Antecipada

A opinião é geral: o acessório que apresenta o maior desgaste em um equipamento fotográfico é a bateria.

Vamos começar com duas historinhas perfeitamente possíveis: você viajou 200km em busca daquela praia, que tem um pôr-do-sol maravilhoso. Chegando lá, antes de passar na pousada, afobado para aproveitar a luz, escolheu o lugar, montou a tralha, ignorou a cara feia da patroa, e ao olhar pelo visor não viu absolutamente nada. Reinstalou a objetiva e nada da imagem. Foi aí que seu mundo desabou: a bateria ficara em casa, no carregador! E lá se foi o passeio, o bom humor e as fotos tão sonhadas…

Agora, sua sobrinha está se formando e você, conhecido como o fotógrafo da família, ofereceu as fotos da festa. Desta vez a bateria já estava na câmera depois de uma noite inteira no carregador, e todo feliz você começou a documentar a cerimônia, disputando as melhores posições, até que o olho bateu na informação de carga: 10%! E com dez por cento você não vai a lugar nenhum!  A miserável bateria, depois de 4 ou 5 anos de uso, não havia segurado a carga. O jeito foi inventar uma desculpa, morrer de vergonha, gastar uma grana que não estava prevista e contratar um dos profissionais que estavam na festa…

Exagero nos dois casos? Não!
Não há a menor dúvida que a falta de uma bateria, ou sua incapacidade de manter a carga deixa qualquer um em maus lençóis, e o segundo caso tem muito a ver com sua manutenção, que não é complicada, embora requeira atenção, além do que, ambos os casos acontecem com mais facilidade do que parece…

Um fator que influi bastante no rendimento da bateria é a forma como o fotógrafo trabalha: há aqueles mais cuidadosos, que sabem como reduzir o consumo e há aqueles que simplesmente a recarregam (ir)regularmente e pronto!

Na verdade, uma bateria tem, como tudo, uma vida útil, que é calculada entre 700 e 1000 ciclos de carga/descarga, muito embora cada marca e modelo de câmera defina um determinado tempo de duração para sua bateria, podendo variar até mesmo entre modelos da mesma câmera.

Mais de mil ciclos! É uma vida longa para uma bateria, desde que bem cuidada | Foto: José Américo Mendes

Hoje, todas as câmeras mostram no visor e na tela qual a carga restante na bateria e quantas fotos foram batidas com imagens estáticas, vídeos não são contados. Algumas câmeras da série EOS, da Canon, possuem inclusive a contagem do obturador e informam quantas imagens estão sendo feitas com aquela carga.

Uma coisa que pode preocupar é perceber uma diferença na quantidade de fotos produzidas por uma carga e a seguinte. Muitas vezes isso ocorre em razão do que foi exigido para cada foto, na segunda carga, com o uso de mais ou menos funções na câmera. Todavia, caso essa diferença chegue a mais de trinta por cento em um uso considerado idêntico, sem nada de diferente, é possível que a bateria esteja começando a deteriorar-se.

Muito embora as modernas baterias de Lithium ion não apresentem o “efeito memória”* do passado, podendo ser recarregadas em qualquer ocasião e com qualquer nível de energia, recargas com intervalos muito curtos podem, ao longo do tempo, provocar uma queda no seu rendimento.  Dessa forma procure estabelecer um piso da carga restante para então levar a bateria ao carregador. Algo entre 10% e 15% no visor é uma boa marca.

E por falar em carregador: ele veio junto com a câmera, ou você comprou no camelô, bem baratinho? Um bom carregador avalia a necessidade da bateria e regula o fluxo de energia a ser fornecido, enquanto os carregadores mais baratos simplesmente repassam a carga dentro de um padrão fixo e de forma tão rápida, à ponto de aquecer a bateria.

E já que falamos em bateria quente, saiba que a temperatura ambiente também influi no rendimento. Se você for à Antártida terá de mantê-la aquecida para que ela não se esvaia, mas em compensação, se esquecê-la no interior do carro, ao sol por várias horas, em um verão carioca com 42º à sombra, também irá perdê-la tranquilamente, inclusive com o risco de explosão. Mesmo que você jamais vá à Antártida, considere que a variação da temperatura reduz a vida útil da bateria.

Tanto na Antártida, quanto no verão do Rio, a bateria de sua câmera pede cuidados. Só que ligeiramente diferentes… | Ilustração: José Américo Mendes

Assim, ter um lugar específico para o seu transporte e uma segunda bateria em “stand-by” para uma possível troca são medidas de segurança para evitar dissabores em um trabalho mais longo. Evite também deixar a bateria na câmera quando terminar um trabalho. Conservá-la ali até o próximo passeio irá aos poucos drenando a carga, mesmo que a câmera esteja desligada.

Pesquisas feitas pela Duracell, Panasonic, Sony e Canon mostraram que, em média, por volta da centésima recarga as baterias desenvolvem um processo de fuga muito lento, mas constante.  No início essa perda de carga é simplesmente desprezível, mas vai crescendo à proporção que a bateria “envelhece”, com recargas cada vez mais constantes, já que ela não consegue manter a energia pelo mesmo tempo de antes.

Há, contudo, algumas medidas que podem ser adotadas e que poupam sua bateria como:

A parcimônia no uso da tela de LCD –  muitos fotógrafos preferem trabalhar através da tela, ao invés do visor. Ainda que seja mais prático visualizar a imagem pela tela e, em uma rápida avaliação, decidir repetir a foto, ou não, saiba que esse procedimento gasta um bocado de bateria e o mais correto é fazer as fotos sempre pelo visor e depois selecioná-las em casa.

As funções da câmera – Dê uma geral e verifique se as funções que estão habilitadas para aquele trabalho são de fato necessárias. A lista, além da tela de LCD, engloba o GPS (detestado por muita gente), a conexão Wi-fi, o autofoco, o relógio, o calendário e a sequência de três fotos. Caso sua câmera seja uma compacta e só disponha da tela para visualizar as fotos diminua o seu brilho. Muitas compactas e DSRLs possuem o modo “economia”. Use-o!

O Flash –  Ele é imprescindível em muitas ocasiões, mas se vai usar o “pop-up” da câmera saiba que ele come um bocado de carga, apesar de seu curto alcance. Com isso, logo que possa, compre um flash dedicado, capaz de funcionar com suas próprias baterias, recarregáveis, ou não.

Mesmo que as baterias usadas no flash dedicado não sejam recarregáveis, elas aliviam bastante a bateria da câmera | Foto: José Américo Mendes

Aliás, toda essa preocupação com o desligamento de funções, tidas como secundárias, não é “apenas” e “só” por economia de carga. É porque com elas fora de uso cessa a sangria da bateria e o processamento das fotos é bem mais rápido!

Contatos Limpos – É sempre importante manter os contatos limpos, não só na bateria, mas também no interior da câmera. Muitas vezes, com o ar salitrado da beira mar e a umidade, eles ficam oxidados e isso dificulta a conexão correta e a passagem da corrente devida. Assim, limpe os contatos não só da bateria como do interior da câmera com um pano de microfibra, ou mesmo com uma borracha de texto. Fique atento, contudo, porque a borracha produz resíduos que devem ser retirados da bateria e da câmera.

Um método que adotamos há muitos anos é usar um cotonete. Após umedece-lo (umedecer não é encharcar!) com um polidor de metais friccione os contatos na bateria para, depois, poli-los com um cotonete seco, ou uma flanela, tendo o cuidado de retirar todos os resíduos do polidor. A câmera pode receber o mesmo tratamento, com as devidas precauções. Vale lembrar que o carregador também possui contatos, que merecem uma limpeza vez por outra.

Manter limpos os contatos da bateria, do carregador e da câmera, torna a recarga mais rápida e o rendimento da câmera mais confiável | Foto: José Américo Mendes

Há vezes em que a ocasião pode exigir que se dê uma “sobre vida” à bateria (algo parecido com a “chupeta” nas baterias automotivas), quando ela repentinamente perde a condição de manter a carga e você está em um lugar onde não há como comprar uma nova (na verdade a coisa nunca é repentina – a bateria vai descarregando cada vez em menos tempo, mas vamos ao nosso exemplo): deixe-a ligada até esgotar toda a carga residual e depois ponha-a na recarga pelo tempo necessário a um ciclo completo, em alguns casos por quase 12 horas, ou até que a luz do carregador indique carga completa. Mesmo assim, ainda que ela mostre carga total no visor fique atento ao seu desempenho…

E ficamos por aqui. Seja você um amador, ou um profissional, o trato com a(s) bateria(s) deve ser o mesmo porque, tanto para um quanto para o outro, o vexame de ficar em meio a um trabalho por falha da bateria é enorme e, convenhamos, não é difícil evitar isso.

Nota*- O chamado “efeito memória” era a carga residual que permanecia nas baterias, mesmo quando zeradas, e que devia ser drenada para evitar danos às placas, por ocasião das recargas.


Assine nossa newsletter e fique informado :)

José Américo Mendes

José Américo Mendes

Fotógrafo veterano, José Américo fala sobre coisas que vivenciou em mais de cinquenta anos de fotografia.

18 comentários

Clique aqui para comentar

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  • Você consegue juntar um assunto técnico com historinhas bem interessantes. Nunca pensei na bateria com a seriedade que você aconselha. Parabéns!

  • Amei o seu artigo e agora estou olhando a bateria da minha câmera de uma outra forma. Uma pergunta: porque você não dá as caras no Face?

  • Adorei o seu artigo, sempre fui muito relaxado com minhas baterias. Aproveitando a oportunidade pergunto: há alguma camera que fotografe em 4k? Afinal o que é o 4K?

  • Não! O sistema 4K é voltado para o vídeo e é assim chamado porque sua amplitude de gravação é de aproximadamente 4000 pixels, ou seja 4 vezes mais do que o full HD (1080p). Saiba, todavia, que o 4K sozinho não representa muita coisa porque você vai precisar de um computador valente e um monitor de qualidade

  • Como sempre, um artigo de primeira, valorizando algo que geralmente não passa por grandes cuidados. Você tem o telefone da morena no seu artigo? Graaande bateria!

  • Temos um grupo que segue seus artigos e que gostaria de um contato mais próximo, que tal dar uma passada no Face, tá todo mundo lá.
    Conceição, Cláudia, Felipe, Cardoso e Carlos

  • Zé, mais um texto bem atual, enxuto e claro, parabéns. Aliás, desde os tempos da Faculdade você já era bom de caneta. Parabéns!!

  • Amei o seu artigo, só não entendo sua ausência do Face e do Instagram. Já fiz dezenas de buscas e não o encontrei. Por que??

  • Oi Cláudia:na verdade tenho tentado, mas sou bastante limitado em termos de informática. Na verdade sou muito limitado nas redes sociais…

  • Parabéns pelo post.Esse talvez seja o único blog que publique matérias vindas de experiencias pessoais, a regra geral é simplesmente traduzir (e mal) notícias pescadas na Internet, ou oferecer cursos bastante limitados. Uma pena que haja tanta gente experiente que poderia completar ainda mais os blogs disponíveis, mas que se negam a colaborar com seus conhecimentos. Por que será ??

  • Parabéns por mais um artigo. Eles são sempre bem chegados, principalmente pela escolha dos temas. Aguardo você no Face. Alguma coisa contra?

  • Muito bom o texto sobre algo tão presente em nossas fotos e que geralmente não recebe maiores cuidados. A turma está te cobrando no Face e no Instagram. Quando é que vai aparecer/

  • É sempre bom ir às coisas simples, porque elas são geralmente esquecidas e os detalhes estão nas coisas simples. Sacou? É filosofia pura, mas a bateria não perdoa e já vivi a segunda historinha… Parabéns pelo artigo.

  • Cara, você sabe das coisas e é de um tempo, como eu, em que o laboratório era crucial. Quem não soubesse revelar e trabalhar uma cópia estava mal. Se não tinha esmaltadeira, para um papel brilhante, esmaltava no espelho. O que se vê hoje são meros e nada inteligentes apertadores de botões . O progresso chegou, mas despersonalizou a fotografia como arte. Um dia você vai cansar de pregar no deserto.

Receba as novidades por e-mail