Dicas de Fotografia Fotografia de rua

5 dicas para perder o medo de fotografar na rua

Foto: Unsplash
Como montar a pose perfeita

Fotografar na rua é uma das coisas mais fáceis de fazer, certo? É só ter uma câmera e sair na rua, aparentemente. Mas não é bem assim. No início, muitas pessoas tem timidez de fotografar em público, que é causada por diversos motivos.

Neste artigo, trazemos 5 dicas do fotógrafo de rua alemão Sebastian Jacobitz, originalmente publicado no Street Bounty, aqui traduzido e adaptado. Ele fala sobre os motivos que nos impedem de fotografar na rua e como superá-los. Confira!

  1. Familiaridade com a câmera

“Um dos meus maiores receios no início não era poder controlar a câmera da maneira ‘certa’. Mesmo muito tempo atrás, antes de fazer fotografia de rua, eu tinha a preocupação de ser taxado como um amador por outras pessoas. Consequentemente, fotografei em lugares solitários e em épocas em que havia menos gente na rua. Eu acho que todos nós sabemos a sensação de entrar em novo terreno, porém com desejo de chegar lá com conhecimento e não desmascarar o nosso disfarce. Porque, afinal, se você não conhece cada botão de sua câmera de cor, você não teria o direito de fotografar em público?

Para a fotografia de rua, apenas algumas funções são relevantes e até mesmo o modo totalmente automático é apropriado para este tipo de gênero. Parecer um amador pode até mesmo ser uma vantagem, porque nós queremos evitar qualquer coisa que nos faça parecer com os paparazzi profissionais.

Foto: Sebastian Jacobitz
Foto: Sebastian Jacobitz

Não tenha medo de testar sua câmera em campo e se familiarizar com ela lá mesmo. Você não tem que ser capaz de recitar o manual da sua câmera para justificar o ato de tirar fotos em público. Adquira todo o conhecimento que você precisa e, em seguida, aprenda a controlar sua câmera através da prática”

  1. Atrair a atenção

“Estamos acostumados com a crença de ‘não falar com estranhos’, que estranhos representam mais mal do que bem. Como resultado, ficamos meio preocupados com o ato de falar com as pessoas na rua que não conhecemos. Para evitar chamar qualquer atenção, tentamos nos encaixar na multidão.

Porém, como fotógrafos de rua, temos que desaprender as implicações negativas em se comunicar com pessoas estranhas. Em vez de ter uma mentalidade negativa, devemos estar mais inclinados a tomar nossas próprias decisões.

Não é uma coisa ruim não fazer o que todo mundo faz. De fato, o que significa atrair a atenção? Existem resultados negativos que vêm com ele automaticamente? Ou isso faz mesmo uma diferença real?”

  1. Falsa percepção

“Nas minhas primeiras semanas fotografando na rua, eu tinha a sensação de que todo mundo estava olhando para mim como se eu fosse um lunático, apenas por causa da minha câmera. A verdade é que a maioria das pessoas é apenas curiosa e não está julgando você de forma negativa. A segunda questão que você se pergunta é se por acaso está chamando mais atenção do que em dias normais.

Mas pense: você observa todos os contatos visuais ou olhares que você recebe enquanto faz compras de supermercado? Provavelmente não, porque você absolutamente não se importa com isso neste momento. Então, por que uma pequena câmera deveria fazer uma diferença tão grande?”

Foto: Sebastian Jacobitz
Foto: Sebastian Jacobitz

A diferença reside na nossa própria percepção. Como estamos à procura de grandes imagens que observamos o nosso redor muito cuidadosamente, percebemos todos os pequenos detalhes e também as pessoas que olham para nossa câmera”

  1. Preocupar-se com o que os outros pensam

“Uma coisa que muitas vezes nos preocupa é o que outras pessoas estão pensando sobre nós. Colocamos muita energia para criar uma boa impressão de nós mesmos. Como não há segunda chance para uma primeira impressão, também temos a ansiedade para agradar os estranhos na rua.

Esta é mais uma norma social que atrapalha a fotografia de rua, além de entrar na lista das falsas percepções. Talvez você tenha medo de tirar fotos em público porque está preocupado com o que outras pessoas estão pensando sobre você. ‘Que sujeito estranho’ pode ser uma frase que surge em sua mente – e que você absolutamente não quer fazer alguém pensar.

Mais uma vez, nossa própria autoconsciência está jogando contra nós.

Na realidade, cada pessoa está mais preocupada com o que os outros podem pensar sobre si mesmas do que em ter opiniões fortes sobre outras pessoas. Isto significa a maioria das pessoas está pensando mais em si mesmas do que em você.

Talvez elas estejam pensando se você os fotografou ou tendo outros pensamentos egocêntricos. Mas eles dificilmente estarão formando opiniões fortes e duradouras sobre o fotógrafo que está fazendo umas fotos em público.”

  1. Sentimento de culpa

“Outra razão pela qual você pode ter dúvidas e ansiedade na hora de fotografar na rua é: sentir-se culpado por fazer uma foto de um estranho total. Você pode pensar que ‘roubou’ algo de alguém que você não tem direito de possuir. Talvez você também pense que estas imagens não valem a pena compartilhar.

Se este for o caso, eu recomendo que você pratique até sentir-se confortável o suficiente para compartilhar seu trabalho. Caso contrário, você pode manter as fotos em privado e ainda se divertir fotografando na rua.

Foto: Sebastian Jacobitz
Foto: Sebastian Jacobitz

Por outro lado, eu não me sinto ‘culpado’ tirando fotos da vida humana na rua. Na minha opinião, este tipo de fotografia documental tem uma função importante na arte e na cultura. Representa o espírito de uma certa época, em um determinado lugar.

Sem este gênero não teríamos fotos icônicas como esta que sobreviveu por mais de 70 anos e ainda excita os espectadores. Muito depois de cada protagonista e do fotógrafo terem desaparecido, as fotos ainda estarão presentes. Conservar tais momentos não é algo de que devemos nos sentir envergonhados, mas nos orgulharmos de salvar e mostrar às gerações futuras.

Em termos de ética eu tenho a seguinte atitude: não compartilho uma foto em que o assunto esteja numa situação na qual, se eu estivesse lá, me sentiria desconfortável. Ou uma foto que me faz pensar o que aconteceria caso a pessoa encontrasse a imagem. Portanto, não tenho medo de que minhas fotos possam ser descobertas. Além disso, como já expliquei, você não precisa se justificar para tirar fotos em público.

Orgulhe-se de ser um fotógrafo de rua e crie imagens que permanecem relevantes para as gerações futuras”

DICA BÔNUS – Medo de assalto {nota da edição}

Como diversos leitores através do Facebook da iPhoto Editora e também direto aqui nos comentários iPhoto Channel assinalaram (valeu, gente!), fotografar na rua no Brasil tem mais um fator limitante: o medo de ter seu equipamento roubado. Ok, e o que fazer então?

Andar acompanhado não inibe o ladrão mais experiente, mas pode evitar o roubo daqueles que são pequenos batedores de carteiras. Além do que é uma experiência muito divertida fotografar com um amigo (ou mais amigos) e ver o quão diferente cada um percebe a mesma coisa, criando imagens diversas. Outra saída é esconder a marca da sua câmera. É simples e faz o equipamento ficar um pouco menos visado. É só cortar um pedacinho de fita isolante preta e colocar sobre a marca e modelo:

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Ou deixe sua câmera “feia”, parecendo velha e remendada:

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Fonte: CooPh

Outra opção é fotografar com uma câmera pequena. Uso uma Nikon p7000 pra fotografar na rua (nessa também eu escondo a marca), muitos fotógrafos usam a linha da Fujifilm X100, que tem uma lente fixa de 23mm. Um amigo já fez o teste de fotografar na rua inclusive com uma Sony A6000 e, segundo ele, ninguém nem mesmo nota, pois é uma câmera pequena, “parece” uma compacta. Convenhamos: uma DSLR é grande e esse tipo de câmera é conhecida como “câmera profissional”. Ou seja: mais cara para o ladrão vender. Fora que não faz muito sentido você carregar um monte de lentes para fotografar na rua. Leve uma 35mm ou uma 50mm que já basta. São lentes mais baratas na versão f/1.8 (ps: também fotografo sem medo com uma câmera analógica que comprei por R$ 150… Uma Praktika MTL3. Fora que fotografia analógica é um prazer à parte)

Ah, tenha sempre sua câmera “amarrada” ao seu pulso. Alguns ladrões passam correndo e, no impulso, conseguem tirar objetos das mãos das pessoas – e se você estiver sem a alça da câmera bem firme, adeus. Por fim e não menos importante: se a sua câmera custou o suficiente para você não conseguir comprar uma em seguida, e você sabe que vai doer se ela for roubada, faça um seguro de equipamento fotográfico para você. Custa bem menos do que uma câmera nova. 

Tem mais alguma sugestão para evitar o roubo de câmera? Deixe aqui também.


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Ruca Souza

Ruca Souza

Ruca Souza é editora do iPhoto Channel. Jornalista, também é fotógrafa de coisas e pessoas (nessa ordem) e tem uma banda de rock.

4 comentários

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  • Excelente, vc abordou corretamente boa parte das emoções que sinto quando saio à rua em busca de um clique. Uma das que mais me afetam é a nº 3, pois sou uma pessoa tímida e prefiro passar despercebido. Mas uma outra razão – e que não foi abordada – é a questão da segurança (ou da falta dela).

    Câmeras, mesmo as mais simples, têm um alto valor agregado e os assaltantes sabem disso. E via de regra, ladrão não tem mais “cara”. Já fui assaltado na rua por um idivíduo “insuspeito” e sei de inúmeros outros casos assim. Deste modo, não me sinto seguro em nenhum local da cidade, mesmo aqueles longe de áreas de risco.

    Minha estratégia é carregar a câmera numa mochila discreta. Quando saio e encontro uma oportunidade, faço os registros e recolho a câmera. Uma lástima, porque sempre fica aquela sensação de que eu poderia ter feito melhor se não tivesse que me preocupar.

  • As colocações da Ruca são sempre muito valiosas.
    Mas fotografar na rua, numa cidade violente, para mim, é um fator limitante. É frustante

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