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Você conhece os filtros lineares para lentes fotográficas?

Foto: José Américo Mendes
Fotografia de gestantes em estúdio

Eles podem ser placas quadradas, ou retangulares e são extremamente populares na Europa, onde são conhecidos como “lineares”

Quando se fala sobre esses filtros não se pode dissociá-los de sua origem –  a Cokin! A marca foi criada na França, em 1972, pelo fotógrafo Jean Coquin e graças à alta qualidade de seus filtros o nome Cokin (com “K”, por uma questão de marketing) conquistou o continente. Inicialmente produzindo os tradicionais filtros circulares, a Cokin desenvolveu os filtros lineares levando em conta um alto grau de transparência, um índice mínimo de perda de detalhes sem interferência nas cores e nas luzes com maior facilidade na instalação e liberdade no manuseio, o que lhe garantiu total aceitação pelos consumidores.

A Cokin inovou a fotografia com os filtros em placas | Imagem: Cokin

Na esteira de seu sucesso, outros fabricantes criaram séries bastante variadas, com filtros voltados para os mais diversos fins, que podem ir desde um filtro de contraste para fotos P&B, até efeitos especiais como os “graduais”, em que uma cor vai esmaecendo à proporção que se aproxima da metade da placa. Basicamente todas as marcas seguem a mesma formação: o porta filtros, os filtros e um anel de adaptação, que instala o conjunto na objetiva.

As três peças básicas responsáveis pelo sucesso do sistema | Imagem: Cokin

Como explicar, contudo, a popularidade desse tipo de acessório onde é grande o número de fotógrafos contrários a qualquer espécie de filtros, alegando que eles degradam a imagem? Pelo visto há muito mais gente que não leva isso tão a sério, ao buscar um efeito especial direto na foto, sem a dependência de uma pós-produção, que passa a funcionar como um plano B. Isso talvez explique o grande número de ofertas, com mais de duzentos filtros lineares…

Os adeptos do sistema afirmam que a instalação das placas por encaixe é muito mais fácil e não oferece os riscos de roscas danificadas, como acontece facilmente quando os filtros tradicionais são empilhados na objetiva e a variação abertura/velocidade não existe ao se usar apenas um filtro, muito embora, à proporção que outras placas sejam reunidas haja uma perda de luminosidade que vai alterar aquela combinação.

Leves e fáceis de instalar, os kits são fabricados hoje também pela SRB, KOOD, Cromatek, Hitech, Lee, Tiffen, Jessop, Hoya e Schneider, o que demonstra a aceitação dos lineares no Velho Mundo. Todas as marcas presentam um bom acabamento, com a mesma qualidade da Cokin e, com a evolução natural dos produtos, diversas resinas óticas foram testadas e adotadas em substituição às placas de vidro dos primeiros modelos.

As placas tem baixíssima distorção com as resinas óticas | Imagem: Cokin

Outro fator importante é que os lineares são mais baratos do que os circulares, talvez pela fabricação mais simples  e por dispensarem  os aros metálicos que, por certo, influem no custo final. Com isso há diversos acessórios que completam as séries, desde kits de limpeza, passando por estojos especiais para as placas, até para-sóis.

Procurando atender os diferentes diâmetros de objetivas disponíveis no mercado, os fabricantes de certa forma padronizaram seus kits e produzem conjuntos com as mesmas dimensões e codificações da Cokin, conhecidos como “A” e “P”, muito embora a marca francesa faça mais dois tipos: o”Z-Pro” e o “X-Pro”.

Assim, ao se adquirir um desses conjuntos é preciso que você tenha em mente o diâmetro da objetiva, pois é ele que vai definir o modelo correto. Além disso, em algum momento você pretende usar uma  grande angular? Esse tipo de objetiva, por ter uma lente muito convexa geralmente impede a instalação de filtros circulares, mas os lineares a aceitam bem porque conseguem manter uma boa distância dela.

E vamos às séries:

Os quatro modelos da Cokin atendem às quatro principais categorias de fotógrafos: desde os amadores até os mais avançados | Imagem: Cokin

O modelo “A” é o menor e o mais simples. Aceita, como todos os demais até 3 filtros e foi feito para objetivas com diâmetro máximo de 62mm. Suas placas possuem 67mm de lado.

O modelo “P”, que vem em seguida, foi projetado para objetivas até 82mm, alcançando câmeras de médio formato como as Hasselblad e as Rollei, muito embora possa ser usado em objetivas menores, bastando usar o anel de adaptação correto.

Deixando a chamada “linha popular” e analisando os dois conjuntos exclusivos da Cokin, temos o “Z-Pro” que atende um seguimento mais específico, formado por fotógrafos avançados, que adotam câmeras de médio formato como as Hasselblad e Rollei, com HD e os videomakers que usam DSLRs e necessitam de maior qualidade de efeitos especiais em suas imagens.

Ajustáveis a qualquer câmera, os filtros cobrem todas as necessidades | Imagem: Cokin

Este conjunto, segundo própria Cokin, é o que oferece maior flexibilidade, podendo ser desmontado e adaptado para receber filtros de tamanhos e espessuras diferentes, como as placas de 1,6mm, 2mm e 3mm, permitindo assim o uso de filtros de outras marcas como a Lee, a Tiffen e a Schneider. Considerando a mobilidade de seu anel de fixação até mesmo um polarizador pode ser incorporado ao sistema, já que a placa pode ser girada, para um melhor efeito. Outra vantagem do sistema é não produzir as incômodas vinhetas, que são áreas escuras nos cantos das fotos.

Esta série trabalha com placas de 100mm nas versões 100X100 e 100X120, atendendo objetivas com até 96mm de diâmetro e permitindo o uso de grande-angulares. Os 90 filtros que formam esta série cobrem uma vasta gama de efeitos como contraste, correção e conversão de cores, até os “soft-focus” e os DNs, tornando-se o ideal para aqueles que necessitam de uma definição mais apurada em suas imagens.

Há sempre um filtro certo para aquele efeito pretendido | Imagem: Cokin

E por fim chegamos à série “X-Pro”, projetada para objetivas de médio e grande formatos. Além de atender às câmeras cinematográficas, ela aceita grande-angulares de qualquer tamanho, cobrem objetivas até 188mm e seus usuários – produtores de vídeo e fotógrafos avançados, consideram suas imagens simplesmente excelentes.

Além da leveza e grande resistência a choques, a série “X-Pro” apresenta os maiores filtros lineares do mercado e seus anéis de adaptação podem ser fornecidos nas roscas com fios de 0,75 e 1,00. Há ainda uma série especial, fornecida sob encomenda e que foi usada nas câmeras que filmaram a saga de Star Wars (Guerra nas Estrelas).

Uma foto prismática, com a multiplicação de imagens | Foto: José Américo Mendes

Nas lojas o consumidor encontra dezenas de opções, como os “graduais” em sete cores básicas, que se desdobram em outras tantas variações; mais de vinte placas de DN (densidade neutra), com todo o tipo de gradação, vários tipos de “prismáticos” capazes de multiplicar imagens, passando pelos “center-spots”, e calcula-se que em 2016 mais de três milhões de filtros lineares tenham sido vendidos.

Todavia, como a roda das novidades não pode parar, a Cokin lançou em abril deste ano algo que certamente está dando o que falar:

O EVO, último lançamento da Cokin, no mercado desde abril de 2017 | Imagem: Cokin

É o novo adaptador EVO, que torna possível usar os antigos filtros circulares juntamente com os filtros lineares. Para tanto, o novo modelo tem uma rosca na parte frontal do porta filtros que permite a instalação de um filtro circular independente dos filtros lineares. Dessa forma, os dois sistemas podem ser usados e com isso a Cokin resgata milhares de antigos filtros do fundo das gavetas, abrindo uma nova opção aos fotógrafos, sempre ávidos por novidades. Aliás ,essa inovação, “produto de alta tecnologia” segundo o folder da fábrica, estava tão na cara que era apenas uma questão de tempo os gênios franceses descobrirem que ambos os tipos poderiam ser reunidos…

… ele conjuga os filtros lineares e os circulares. Sucesso garantido”

A Lee, segunda maior fabricante depois da Cokin oferece, por seu turno, uma série de filtros para diferentes conjuntos, sendo o mais popular o de 100X120mm, desfrutando de grande aceitação entre os profissionais, com um porta filtros igualmente desmontável e diversos acessórios como adaptadores para as mais diversas objetivas, prolongadores e um para-sol bem maior do que o da Cokin, para a proteção total do conjunto filtro/objetiva.

E ainda que as modernas resinas óticas tenham demonstrado um bom desempenho, muitos fotógrafos ainda preferem os filtros de vidro e assim a Lee abastece o mercado com uma variada linha de placas “à antiga”.

Com tudo isso, a KOOD fechou 2016 com um movimento superior à Lee e apresentou um novo catálogo bem mais variado, com centenas de opções,  incluindo um jogo completo de lentes close-up.

E por que, apesar de toda essa popularidade, pela aceitação que tem, isso não chega ao Brasil?

A resposta seria longa e talvez enfadonha, mas pode ser resumida, a meu ver, pelo fato de vivermos à sombra da indústria japonesa. Nada contra os nipônicos, até porque boa parte das minhas câmeras é japonesa, mas quando se fala em acessórios há dezenas de marcas e tipos que não conseguem vencer o bloqueio do mercado brasileiro, que acostumou-se a consumir produtos apenas de uma determinada fonte. Displicência dos importadores? Medo de tentar novos produtos? Culpa do mercado que engole o que lhe é impingido e, satisfeito com o que lhe chega, não tem interesse em saber o que há lá fora? Positivamente não sei, talvez um pouco de tudo, junto e muito misturado…

Considerando, porém, que a esperança é a última que morre, quem sabe, um dia, os “quadrados” europeus cheguem por aqui? Quem viver, verá…


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José Américo Mendes

José Américo Mendes

José Américo Mendes é colunista do iPhoto Channel. Advogado, com formação fotográfica nos Estados Unidos, no retorno ao Brasil abriu um estúdio - Fundo Infinito - onde realizou durante doze anos inúmeros trabalhos para as principais agências do Rio de Janeiro enquanto mantinha um curso de fotografia que foi referência na cidade. Hoje, faz da fotografia um hobby, embora ocasionalmente faça trabalhos com fotos de divulgação de produtos e para a área de turismo. Há vinte anos é membro da British Photographers Association.

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